30.8.08



Não dá pra fazer merda nenhuma com 3 mil toques e na última hora. Meu textinho vagabundo pro Claro!, ainda sem título e sem alterações do editor e da professora. (versão 2 - após as sugestões do editor, mas ainda sem os cortes dele)



“Na América Latina a fronteira entre o futebol e a política é tão tênue que resulta quase imperceptível”, dizia Luis Suárez, jornalista espanhol, especialista na política da região.

Nós brasileiros bem o sabemos: vimos a vitória do escrete canarinho no Mundial de 1970 tornar-se instrumento de propaganda da ditadura militar, nas mãos do general Emílio Garrastazu Médici. Mãos que ergueram a taça Jules Rimet, durante a recepção da seleção tricampeã em Brasília, enquanto o país inteiro ouvia o “Todos juntos vamos, Pra frente Brasil, Salve a Seleção!”. Ninguém segurava este país.

A Guerra do Futebol

Outras duas ditaduras e a mesma Copa de 70 geraram um dos mais célebres episódios que demonstram a promiscuidade entre política e o nobre esporte bretão nos países latino-americanos.

Em junho de 1969, durante as eliminatórias para o Mundial no México, estavam marcadas três partidas entre El Salvador e Honduras. Na primeira, realizada na capital hondurenha de Tegucigalpa, Honduras ganhou por 1 a 0 sobre a exausta seleção salvadorenha, que passara a noite em claro devido à barulheira produzida pela torcida adversária em frente ao hotel em que a equipe estava hospedada.

No segundo jogo, em uma San Salvador ocupada pelo exército de metralhadoras em punho, El Salvador vingou-se com um 3 a 0. A torcida hondurenha foi escorraçada até a fronteira, que seria fechada horas depois. O embate final teve de realizar-se em território neutro. Na Cidade do México, a seleção de El Salvador ganhou por 3 a 2 na prorrogação, garantindo sua vaga na Copa do Mundo.

Em 14 de julho, El Salvador bombardeou Tegucigalpa e invadiu o país vizinho com suas tropas, dando início a uma guerra que duraria cem horas, deixando seis mil mortos. O que pareceu ter se originado nos estádios tinha, no entanto, raízes mais profundas.

El Salvador sofria com uma grande concentração de terras – dizia-se que o país era propriedade de 14 famílias. Além disso, o país, cujo território é menor que o de Sergipe, passara por uma explosão demográfica, que resultou em emigração em massa de camponeses para Honduras – país seis vezes maior, com população duas vezes menor.

Honduras, por sua vez, enfrentava uma onda de desemprego e forte crise econômica. Os governos ditatoriais e a imprensa de ambos os países alimentaram o ódio mútuo entre as populações, atribuindo ao vizinho a culpa por todos os males. O futebol, com seu poder de mover paixões, foi apenas a faísca no rastro de pólvora que demarcava a fronteira entre os dois países.

Zapatistas vs. Inter de Milão

Mas não é só a política institucional que se mistura com o futebol. Nem só de histórias tristes é feita a relação entre os dois.

Em 2004, a Inter de Milão apoiou a luta zapatista com uma doação de 2.500 euros. No ano seguinte, o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN), grupo revolucionário mexicano que luta pelos direitos dos povos indígenas, respondeu ao ato de solidariedade com um desafio: uma partida de futebol entre a Inter e a seleção zapatista. Os rebeldes prometeram não golear a equipe italiana, em sinal de respeito.

Massimo Moratti, dirigente da Inter, respondeu à provocação com uma carta, em que dizia “Jogaremos!”. E afirmava: “O futebol pode ser um instrumento para alcançar objetivos importantes, mas também é algo que nos torna todos crianças e todos iguais. Todos sonhadores”.

O porta-voz zapatista Subcomandante Marcos respondeu com uma nova carta, em que propunha sete partidas, cada uma com uma causa política distinta. Sugeria os ex-jogadores Maradona e Sócrates como membros da equipe de árbitros, os escritores Eduardo Galeano e Mário Benedetti como narradores, além de travestis e transexuais como animadoras de torcidas (para combater a coisificação da mulher).

“Com tudo isso (e algumas outras surpresas)”, disse o Sub, “talvez o futebol deixasse de ser só um negócio e seria, outra vez, um jogo divertido. Um jogo feito de sentimentos verdadeiros”.

Um mês após esta carta, os zapatistas fechariam seus territórios, entrando num processo de consulta interna que levaria à “outra campanha”, processo de consulta popular com o objetivo de construir um movimento nacional para a mudança social. Os jogos nunca se realizaram.

29.8.08



Hay que tener un paraquedas en el corazón.

23.8.08



Cadê meu sistema de comentários?

22.8.08



Estava pesquisando para uma matéria que vou escrever sobre o desafio dos zapatistas ao Inter de Milão, quando descobri que o La Jornada, jornal mexicano de esquerda, tem arquivos online desde 1996! Segundo a Wikipédia, o La Jornada é um dos maiores jornais diários mexicanos e sua versão online, que existe desde 1995, é o primeiro jornal online em língua espanhola.

Diversão pura fuçar nos arquivos! As seções de fotos, apesar de terem fotos muito pequenas e em baixa definição, têm imagens incríveis do EZLN. E, através das notícias e da publicação de documentos originais, dá pra traçar toda a trajetória dos zapatistas a partir de 1996 (o levante zapatista foi em 1º de janeiro de 1994).


Dois achados:





Seleção zapatista de futebol antes de amistoso contra jogadores veteranos, realizado em 15 de março de 1999, durante consulta nacional pelos direitos dos povos indígenas. Os zapatistas chegaram para o jogo usando coturnos, então receberam a solidariedade dos adversários e do público para conseguir tênis emprestados. O jogo resultou para os rebeldes em derrota por 5 a 3. Sobre a partida, disse o Sub (que não jogou):

"Sobre el marcador final podemos decir que no refleja lo que realmente sucedió en la cancha, pues en el césped los zapatudos mostraron un juego vivaracho y retozón que hizo las delicias de chicos y grandes.

En fin, no perdimos, nos faltó tiempo para ganar (Napoleón dixit). Además, es claro que a nuestros muchachos les afectó la altura, el clima, el smog, el terreno, la crisis asiática, el [volcán] Popocatépetl, el affaire Clinton-Lewinski y esos uniformes en los que cabíamos dos en uno.

¡Ah! y no olviden que los zapatudos llegaron un poco cansados porque arribaron al DF después de driblar a 70 mil federales."





Carta de desafio dos zapatistas ao Internacional de Milão

Nunca tinha visto essa carta antes, só conhecia a resposta do presidente do Inter ao desafio e a maravilhosa resposta do Subcomandante Marcos a ele -- fiquei mó feliz de ter achado a origem.

21.8.08



En el trópico, beber se convierte en una necesidad perentoria. En Europa, cuando se encuentran dos personas, se saludan diciendo: "¡Hola!, ¿qué tal?" En el trópico el saludo es muy distinto. Suena así: "¿Qué vas a tomar?" Aunque también se beba durante el día, el beber verdadero, obligado, metódico, empieza con la puesta de sol, cuando se sabe que pronto se hará de noche, y la noche aguarda agazapada acechando al osado que pretenda desdeñar el alcohol.

La noche tropical es un aliado incondicional de las fábricas de whisky, coñac, cerveza y toda clase de licores y aguardientes. A todo aquel que no contribuya al aumento de las ganancias de las destilerías lo combate y lo vence la noche esgrimiendo su mejor arma: el insomnio. El insomnio es siempre agotador, pero en el trópico puede llegar a ser mortal.

(...)

La persona se siente derrotada e inútil como una zapatilla vieja. Apagada, aplastada, inerte. La atormentan añoranzas extrañas, nostalgias inexplicables, pesimismos lúgubres. Espera que se acabe el día, que se acabe la noche, ¡que todo se acabe de una puñetera vez!

Y, ¿cómo no?, bebe. Bebe contra la noche, contra la dezesperanza, contra la inmundicia de la cloaca de su destino. Es la única batalla que es capaz de dar.




(Ryszard Kapuściński, La Guerra del Fútbol, "Hotel Metropol")

17.8.08



i has a u.

14.8.08



O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido.

É melhor do que morrer. Há coisas, como o álcool e os livros, que continuam boas. A morte é mais aborrecida.

Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver um amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver esperança. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo.





Só me lembro do sexo. É a única memória que pode ter utilidade póstuma. Durante todos os anos em que estivemos separados, devo ter batido uma média de cinco punhetas por cada foda que demos. As que me dão mais tesão são as que lhe deram mais tesão a ela. Ela diz o mesmo de mim. Deve ser a única coisa em que sou moderno. Não há nada mais desinteressante que o meu próprio tesão, sobre o qual não tenho mão, por assim dizer.





Pois não. A mulher que eu queria era alguém que quisesse ler os meus livros e tivesse livros que eu quisesse ler: alguém um bocadinho como eu, com livros que só tivessem sido lidos uma vez. O resto escapava-me e continua a escapar-me.






Lendo O Amor é Fodido, do Miguel Esteves Cardoso, escritor português contemporâneo. Que livro do caralho.

6.8.08



Daí eu fui pra aula da Plásticas, uma hora atrasada e me sentindo muito culpada pelo atraso, chegando lá, na porta do departamento tinha uma placa avisando que a disciplina só começa dia 19 de agosto. Super legal. Eu tenho aula à noite e pretendia passar o dia na USP, mas fiquei tão indignada que voltei pra casa. Obviamente, peguei o maior congestionamento do século. Legal pra caralho. Aí chegando em casa capotei e perdi a hora do almoço vegan na casa da Monique.

Dureza, bichô.


Update: vou ter que trancar a matéria da Plásticas, a reunião do G-Popai vai mudar pra quarta. então, oficialmente, só matéria picareta esse semestre!

5.8.08



após a retificação, sou a feliz (?) portadora de um horário malucaço

segunda: aula à tarde e à noite (essa da tarde é incerta, o Kabengele falou que aprova o requerimento de matrícula, mas tem mais inscritos do que vaga, logo, não sei como se resolve)

terça: aula de manhã e à noite, usp leste à tarde (aqui algo vai ter que ceder, ou a reunião do G-Popai muda de dia, ou vou ter que trancar a optativa da manhã - impossível cruzar a cidade 4 vezes ao dia -- Vila Mariana - Butantã - Ermelino Matarazzo - Butantã - Vila Mariana)

quarta: aula de manhã e à noite (com tarde livre para estudar para minha pesquisa individual -- esse é o plano ambicioso, pelo menos)

quinta: usp leste à tarde, aula à noite

sexta: aula de manhã


o horário é malucão, mas quase todas as matérias são sussíssimas, talvez só a da Plásticas quarta de manhã seja mais casca (Laboratório de História, Crítica e Teoria da Arte, com a Sonia Goldberg). veremos.

4.8.08



voltàsaulas..

3.8.08



Meu velho companheiro de caminhadas ao luar
Pensando abobrinhas, pensando idiotices sem nexo

Adeus, all star azul
Adeus, all star azul tamanho 41

Mudamos tanto eu e você durante esse último ano
Você vai para o lixo, eu vou chorar na despedida

Adeus, all star azul
Adeus, all star azul tamanho 41



(Superguidis - A Saudade e o All Star)



é chegado o momento de trocar de all star. eu tinha decidido encerrar minha fase de all star e finalmente mudar de tênis (pensei num desses Nikes de moderno), mas acabei mudando de idéia e resolvendo dar um passo de cada vez e mudar de modelo de all star. nada muito radical também, de all star cano alto preto de lona, pra all star cano alto preto de couro. mas descobri que o eu queria, de bico branco, saiu de linha e o de bico preto não me atrai muito. acabei comprando mais um cano alto preto de lona, que é meu tênis desde os 15 anos (dos 12 aos 15 eu usava cano baixo). única diferença é que o friso desse é preto, o friso vermelho saiu de linha também.

o lance é que all star já é parte integrante do meu pé. fui lá na loja, pedi um preto cano alto 36. cheguei em casa, arrumei o cadarço como eu gosto (ou seja, exatamente igual ao anterior). e é isso aí. a mesma sensação de sempre. muito bom. sem trabalho de ir em várias lojas escolher algo novo. barato. sussa.

como disse o Salem certa vez, quando ele ainda era um adepto do all star preto cano alto (agora ele usa Adidas, se não me engano)


Se é bom o suficiente para os Ramones, é bom para mim.