31.12.07



Fiz um risoto de funghi que deu um trabalhão mas, modéstia à parte, ficou sensacional.

Agora é se embonecar para o ano novo.

29.12.07



A Justiça está a caminho. A Revolução está em curso. Seguindo os moldes da Revolução Francesa, um grupo de rebeldes decide pôr fim ao que considera um novo tipo de nobreza -- as celebridades da televisão. Com julgamentos públicos e execuções na guilhotina.

Revolução, um gibi de Milo Manara


que do caralho! vou acabar esse post e vou ler imediatamente. se há uma coisa pra qual meu pai tem bom gosto é gibi.

e livro. achou outro dia o Um Parque de Diversões da Cabeça, do Ferlinghetti. edição bilíngüe de 1984 da L&PM, traduzida pelo Peninha. raridade. excelente.

28.12.07



Crítica do filme Em Paris, na Folha de hoje:


Quase podemos ver fisicamente alguns cineastas tutelares por trás de "Em Paris": há Godard e Truffaut, Demy e Antonioni. Mas nada chama mais a atenção neste filme de cinéfilo do que o momento em que Jonathan (Louis Garrel) passa diante dos cartazes em que se anunciam "Elefante", de Gus Van Sant, e "Marcas da Violência", de David Cronenberg.

São dois filmes enigmáticos, sem dúvida, e neles é o destino dos personagens que comanda o enigma. Há um homem que se reconstrói totalmente diferente do que era, em "Marcas da Violência", como se fosse possível ser o mesmo e o outro num só corpo. E há o adolescente de rosto angelical de "Elefante", que entra numa escola e fuzila as pessoas sem que nunca se saiba o porquê.

(...)

À parte evoluírem em direção ao inexplicável, ao desconhecido -como "Em Paris", aliás- são filmes que tocam uma essência da sociedade americana, que é a violência.

"Em Paris" estamos em outra maneira de estar entre as coisas, um modo de ser europeu -que a nouvelle vague e o cinema italiano captaram em outros tempos melhor do que ninguém. Não é a violência a questão, mas um certo esgotamento do mundo, que se liga à tristeza essencial enunciada por Paul e com a qual convive um sentimento de vazio dos gestos e dos sentimentos.




O Inácio Araujo comeu bola pra caralho. Apesar de nada no filme ter chamado mais a atenção dele do que esse momento, aparentemente ele não prestou atenção suficiente. O cartaz de filme do Gus Van Sant que aparece no Em Paris é do Últimos Dias, sobre o fim da vida do Kurt Cobain (estrelado pelo Michael Pitt, que contracena com o Louis Garrel nOs Sonhadores, do Bertolucci).

O filme tem muito mais proximidade com esse sentimento de esgotamento do mundo e com uma tristeza essencial do que serve como contraponto simbólico da violência da sociedade americana com relação ao "modo de ser europeu". Comeu bola, Sr. Inácio Araujo.

E ótimo filme o Em Paris.

27.12.07



Ontem de madrugada fiquei assistindo uma compilação dos melhores momentos de 2007 do programa Um Pé de Quê?, exibido no Futura. Muito bacana. Tipo de programa que deve ser uma delícia de fazer. A estrutura é simples: uma árvore da flora brasileira por programa, suas características botânicas, sua relação com a história do país e pessoas contando suas histórias afetivas com a árvore. Apresentado pela Regina Casé, muito simpática (no Central da Periferia, que também é um programa bem interessante, ela também é simpática, mas me irrita um pouco com a coisa de "favela é o melhor lugar do mundo", com as árvores ela até pode dizer todo programa que aquelas são as frutas mais gostosas do mundo, não soa tão ofensivo).

Enfim, em matéria de jornalismo amenidade, esse deve ser um jornalismo gostoso pra burro de fazer. Um pouco de divulgação científica, um pouco de pesquisa histórica e, a parte mais divertida, viajar o Brasil ouvindo as pessoas contando suas histórias.

Às vezes a possibilidade de ser jornalista quando crescer não parece tão medonha. Mas só às vezes.

19.12.07



Tirei meu primeiro 10 de média na faculdade. E foi na disciplina do trabalho final aí embaixo!

13.12.07



Viagem do caralho. Cidade bonita, pessoas massas.

6.12.07



Indo pra Lençóis, pro Submidialogia. Sozinha e meio medrosa, mas nos espírito "se joga e arrasa".

Desejem-me sorte.

Sério mesmo. Se der alguma merda, eu vou passar o resto da vida ouvindo "I told you so" dos meus pais.

4.12.07



Como trabalho final, para entrega até dia 5 de dezembro, uma quarta-feira, peço:

A partir do tema "Jornalismo é...." desenvolvam um texto - em qualquer um dos gêneros estudados (artigo, ensaio, crítica, crônica, entrevista, reportagem....) colocando as idéias e visões pessoais de cada um.
Não se trata de trabalho acadêmico propriamente, tipo monografia. Trata-se de um texto jornalístico, em qualquer gênero, falando da visão de vocês sobre o que é (ou deveria ser) as práticas jornalísticas na atualidade. Simples assim.





CJE/ECA/USP
Conceitos e Gêneros do Jornalismo
Profa. Nancy Nuyen Ali Ramadan

Thais Carrança
Gênero: Artigo


Escrever rock


Não vou falar sobre o que é o jornalismo. Nem sobre o que ele deveria ser. Vou falar sobre o que é um certo tipo de jornalismo e sobre como uma parcela maior dele deveria ser.

Às vezes a gente tem momentos de extremo prazer com a arte. “Spanish Bombs” do Clash, o tecladinho inicial e a explosão de guitarras em “A.M. 180” do Grandaddy, o baixo na abertura de “Waiting Room” do Fugazi, aliás, “Waiting Room” inteira, aliás, o 13 Songs inteiro e o Repeater também. O personagem do editor gritando no escuro, prestes a ser morto, no fim da peça Getsêmani do Mário Bortolotto, “The End” dos Beatles no fim da peça “A Vida é Cheia de Som e Fúria”, da Sutil Cia. de Teatro.

Cortázar, Reinaldo Moraes, Daniel Galera. O baile dos meninos no hotel fechado para o inverno no Amarcord do Fellini. Os soldados andando contra a luz e cantando o tema do “Clube do Mickey” em “Nascido para Matar” do Kubrick. Monty Python. A fotografia “Falling Soldier” do Robert Capa. Posso continuar para sempre e isso vira um memorial indie. Vou poupá-los.

Enfim. Meu ponto é: não é sempre, mas com alguma freqüência a gente tem momentos de extremo prazer com a arte. Agora, com que freqüência o jornalismo nos brinda com um produto que nos dá prazer genuíno? Um texto, reportagem televisiva, radiofônica ou virtual que, para além de ter um assunto interessante, seja estimulante como criação estética. Aliás, o assunto pode até ser meio desinteressante, se o jornalista for bom mesmo, a criação supera o objeto referencial.

Uma coisa dessas é rara. É rara pacas. Não lembro da última vez que tive uma experiência dessas no jornalismo diário. Lembro de uma há alguns anos, na Folha de S. Paulo, texto traduzido de algum jornal estrangeiro, à época da tragédia do tsunami, sobre os homens e as mulheres de todo o mundo que se dirigiram aos países atingidos para ajudar na terrível, mas imprescindível, tarefa de recolher, classificar e dar destinação aos milhares de corpos de vítimas. Aquela matéria, que eu nunca reli, nem sei o autor, conseguiu tornar real pra mim o horror da tragédia e, ao mesmo tempo, o quão compassivo pode ser o ser humano em situações como essas.

O recurso utilizado: jornalismo literário de primeira. Jornalismo literário é uma delícia. Não dá pra ser todo o jornalismo, que ler um jornal inteiro assim todos os dias ia dar no saco. E não ia ter jornalista bom que desse conta. Mas de vez em quando é muito bem vindo. Agora, boa parte do jornalismo literário, quase todo ele, aliás, se recobre da pompa dessas duas categorias da escrita, o jornalismo e a literatura. A objetividade, o distanciamento, o palavrório requintado.

Precisaram uns vagabundos alucinados enfiar o pé no rabo do jornalismo pra mostrar que se podia fazer a coisa “como um dançarino rebola a bunda”, como um moleque punk toca guitarra sem camisa pulando e dançando. Jornalismo com culhões, sem pudores, sem objetividade, com feeling pra caralho. Com o jornalista jogado dentro da realidade que está cobrindo. Repito: não é pra todos, nada me enche mais o saco do que um jornalista babaca ególatra falando de si mesmo quando o que você quer saber é do ASSUNTO. Mas quando o cara enfiado no assunto te faz saber mais do que você poderia conseguir de qualquer outro jeito, então esse é o jeito de se fazer as coisas.

Hunter Thompson, o pai do que estou falando: o jornalismo gonzo. Lester Bangs, o maior de todos os críticos de rock, que, como alguém descreveu perfeitamente, escrevia rock, algo bem mais do caralho e difícil de fazer do que escrever sobre rock. Louis Theroux, o gonzo nerd da BBC. Spider Jerusaelm, que ok, não é de verdade, é um jornalista gonzo personagem de quadrinhos (“Transmetropolitan”, de Warren Elis), mas é foda também.

Hunter Thompson: “So much for Objective Journalism. Don't bother to look for it here — not under any byline of mine; or anyone else I can think of. With the possible exception of things like box scores, race results, and stock market tabulations, there is no such thing as Objective Journalism. The phrase itself is a pompous contradiction in terms”. E “Objective journalism is one of the main reasons American politics has been allowed to be so corrupt for so long. You can't be objective about Nixon”. Hunter Thompson alucinado de todo tipo de droga conhecida pelo ocidente tentando cobrir uma corrida de motocicletas no deserto. Thompson tomando umas porradas dos Hell Angels após passar meses com os caras e escrever um grande livro sobre a gangue. Sobre certas coisas não se pode ser objetivo.

Lester Bangs me fez entender mais sobre mim mesma, sobre os caras que eu gosto como músicos e sobre o mundo em geral escrevendo críticas de rock. Foda-se descrever a sonoridade, os arranjos, os prescedentes históricos. Lester Bangs escreve como uma música de rock. Suas críticas a Iggy Pop e a Elvis estão entre as melhores coisas que já li. No texto sobre Elvis, Lester diz “O maior pecado de qualquer artista é o desprezo pelo público”. Os críticos deviam ler Lester e ler essa frase e tomar para si a crítica. E parar de se masturbar em público. E nos brindar com textos da mesma intensidade das obras que os originaram.

Aí é que está. O jornalismo tem o mau hábito de pegar o mundo – um mundo pulsante, que nos enche de ternura, paixão, ou do mais profundo ódio, ou desprezo, ou tédio, ou qualquer tipo de sentimento que se possa ter com relação ao mundo – e enquadrar sob sua técnica fria e bunda mole. Que faz de todos os fatos só isso, fatos. Coisas do mundo que fazem pessoas botar seus corpos contra tanques, destruir bairros comerciais a pedradas, viajar a outro país para cuidar de cadáveres anônimos, são reduzidas a textos que podem ser lidos durante o almoço. Ou vistos na tv durante o jantar.

A mim me interessa um jornalismo que traga em si, como criação estética, o sentimento daquilo do que trata. Que se aproxime da arte e da literatura não pela pompa e circunstância, mas pelo prazer estético. Não digo de todo o jornalismo, porque meu coração não agüentaria a sensação fodida dos gritos do editor prestes a morrer no fim de Getsêmani todos os dias. Ou um “Nascido para Matar” todo café da manhã. Mas assim, com alguma freqüência maior, descobrir mais sobre si mesmo e o mundo, por uma criação que te incite prazer semelhante à arte, nas páginas de um jornal, na tela de um telejornal ou reportagem virtual, ia ser um jeito massa de sair do marasmo jornalístico de sempre.

2.12.07



Oooooo Corinthians
Oooooo Corinthians
Eu nunca vou te abandonar, porque eu te amo!


(Que bonita a fiel no estádio.)

1.12.07



Pai, onde tá seu Mallarmé? Mas achei antes de perguntar. Quero ler Um Lance de Dados pra ver se passo a entender melhor ou a odiar menos esses pós-modernos infernais que estão me enlouquecendo. E quando já ia xingando Mas que tipo de imbecil faz uma edição de Mallarmé traduzida sem ser bilíngüe, encontro no fim do livro uma SEPARATA. Nunca tinha visto uma dessas na vida. Um livrinho pequenininho, Parte integrante do livro Mallarmé, da coleção Signos, com o texto francês do poema Un Coup de Dés. Não que eu vá entender porra nenhuma, que eu não falo francês, mas eu sempre tenho a impressão de que os irmãos Campos tão me sacaneando, ter o original parece uma forma de defesa. Mallarmé tinha belos bigodes.


Hoje, em duas páginas seguidas da Folha (A2 e A3), dois textos começam com uma expressão que eu nunca tinha ouvido antes.


No editorial "Ilusões digitais":

A SENSAÇÃO de quem passa em revista o discurso das autoridades federais sobre a TV digital no Brasil é a de que a montanha pariu um rato. Da grandiloqüência inicial restou muito pouco no modelo que debuta amanhã, na Grande São Paulo, para poucas testemunhas.


Na seção Tendências e Debates, com o tema "É positiva a proposta para a 28ª Bienal de SP, que prevê, entre outras coisas, um andar vazio?", o texto contrário, "Perda irreparável", de Nelson Aguilar:

O CANCELAMENTO da mostra internacional da 28ª Bienal de São Paulo e sua conversão em palco de debates configura uma perda irreparável não só à cidade e à arte brasileira e latino-americana mas também ao circuito internacional.
Uma edição da Bienal paulistana, boa ou má, reúne artistas, críticos, galeristas, estudantes, visitantes de todas as partes do mundo há mais de 50 anos. No lugar disso, propõe-se uma série de conferências. A montanha pariu um rato e almeja-se que essa natividade seja celebrada, se não como megaevento, ao menos como "um gesto radical".



"A montanha pariu um rato". Que expressão mais feia.

Pesquisando no Google: "A montanha pariu um rato" é uma expressão muito utilizada em Portugal em situações em que se criou uma grande expectativa ou "sururu" à volta de uma coisa ou um acontecimento e no final essas expectativas não se confirmam.. Alguém explica num fórum. O significado eu tinha intuído, mas queria saber mais sobre a origem, além de que é portuguesa.


Procurando algo sobre a expressão, achei essa nota de rodapé muito bizarra, de um texto chamado Grupo Krisis: A montanha pariu um rato, de Charles Reeve (no site, erroneamente "Reeves"), metendo o pau no "Manifesto contra o trabalho". A nota de rodapé, que suponho não ser do autor, porque não aparece em outras versões do texto na rede, sai da expressão a que este post se dedica:

A expressão em português lusitano provavelmente significa algo como "pelo contrário ao absurdo", estando geralmente associada a um grande deslize de outrem.


"Pelo contrário ao absurdo"?! Mas que diabos?!


Olha o contexto:

A apresentação elogiosa dos editores franceses- classificando o Manifesto em terceiro lugar na hit parade da radicalidade, depois do Manifesto do partido comunista e da Miséria no meio estudantil- é pouco certeira. A montanha pariu um rato.


Daonde alguém inferiu "pelo contrário ao absurdo"? Aliás, o que raios quis dizer com isso? Bizarro.
o inconsciente tem umas coisas.. sonhei que pegava o SPIDER JERUSALEM (jornalista gonzo personagem principal do gibi fodão Transmetropolitan) e, num outro sonho, o EVANDRO MESQUITA.

contando com aquele sonho com o LOBÃO no ano passado, falta só uma orgia lésbica com a Fernanda Abreu e a outra backing vocal e vou ter pego em sonhos a Blitz inteira!