1.12.07

Hoje, em duas páginas seguidas da Folha (A2 e A3), dois textos começam com uma expressão que eu nunca tinha ouvido antes.


No editorial "Ilusões digitais":

A SENSAÇÃO de quem passa em revista o discurso das autoridades federais sobre a TV digital no Brasil é a de que a montanha pariu um rato. Da grandiloqüência inicial restou muito pouco no modelo que debuta amanhã, na Grande São Paulo, para poucas testemunhas.


Na seção Tendências e Debates, com o tema "É positiva a proposta para a 28ª Bienal de SP, que prevê, entre outras coisas, um andar vazio?", o texto contrário, "Perda irreparável", de Nelson Aguilar:

O CANCELAMENTO da mostra internacional da 28ª Bienal de São Paulo e sua conversão em palco de debates configura uma perda irreparável não só à cidade e à arte brasileira e latino-americana mas também ao circuito internacional.
Uma edição da Bienal paulistana, boa ou má, reúne artistas, críticos, galeristas, estudantes, visitantes de todas as partes do mundo há mais de 50 anos. No lugar disso, propõe-se uma série de conferências. A montanha pariu um rato e almeja-se que essa natividade seja celebrada, se não como megaevento, ao menos como "um gesto radical".



"A montanha pariu um rato". Que expressão mais feia.

Pesquisando no Google: "A montanha pariu um rato" é uma expressão muito utilizada em Portugal em situações em que se criou uma grande expectativa ou "sururu" à volta de uma coisa ou um acontecimento e no final essas expectativas não se confirmam.. Alguém explica num fórum. O significado eu tinha intuído, mas queria saber mais sobre a origem, além de que é portuguesa.


Procurando algo sobre a expressão, achei essa nota de rodapé muito bizarra, de um texto chamado Grupo Krisis: A montanha pariu um rato, de Charles Reeve (no site, erroneamente "Reeves"), metendo o pau no "Manifesto contra o trabalho". A nota de rodapé, que suponho não ser do autor, porque não aparece em outras versões do texto na rede, sai da expressão a que este post se dedica:

A expressão em português lusitano provavelmente significa algo como "pelo contrário ao absurdo", estando geralmente associada a um grande deslize de outrem.


"Pelo contrário ao absurdo"?! Mas que diabos?!


Olha o contexto:

A apresentação elogiosa dos editores franceses- classificando o Manifesto em terceiro lugar na hit parade da radicalidade, depois do Manifesto do partido comunista e da Miséria no meio estudantil- é pouco certeira. A montanha pariu um rato.


Daonde alguém inferiu "pelo contrário ao absurdo"? Aliás, o que raios quis dizer com isso? Bizarro.