28.11.07



na palestra do Stallman semana passada, sobre a nocividade das leis de copyright para os indivíduos e a comunidade, ele começou falando sobre software livre. ele explicou que o "livre", em software livre, diz respeito à liberdade, não ao preço ou à disponibilidade dos programas. "free software is 'free' as in 'free speech', not as in 'free beer'", ele disse.

pois bem. hoje foi o lançamento da Free Beer no Brasil. Free Beer é uma cerveja de código aberto, criada pelo coletivo dinamarquês de arte Superflex. a fórmula da Free Beer está licenciada sob uma licença Creative Commons que permite que qualquer um conheça seus igredientes, produza sua própria cerveja ou altere a fórmula para melhorá-la. no Brasil, a bebida está sendo produzida pela cervejaria Germânia.

FREE Beer. e não só isso, mas LANÇAMENTO da Free Beer. numa galeria de arte (a Vermelho). com uma exposição de arte. todo mundo sabe que abertura de exposição de arte é senha pra álcool de graça.

chegando lá, Copo: R$2, Casco: R$8, Lata de 5L: R$95.

conclusão: Free Beer is 'free' as in "free software", not as in "free beer".

e a cerveja é RUIM. ruim PACAS.

e na discotecagem tava rolando um som Open Business (novos modelos de negócio baseados na flexibilização da propriedade intelectual): Calypso.

saímos de lá fazendo piada da nossa desgraça. a gente tá lutando por software difícil de usar, música difícil de ouvir e cerveja difícil de beber. dureza.

26.11.07



6 hora da manhã. o sol já nasceu, as costas doem, mas acabei a matéria sobre a palestra do Stallman pra AUN. ficou gigante, com três páginas (os professores recomendam que as matérias pra AUN tenham em torno de 40 linhas). 4 horas pra dormir e acordar pra correr atrás do material necessário pro meu ensaio de fotografia que preciso entregar à noite.

24.11.07



Bortolotto adapta obra de Lourenço Mutarelli
Maria Eugênia de Menezes

Adaptação de Mário Bortolotto para o livro do cartunista Lourenço Mutarelli, o espetáculo "Natimorto - um Musical Silencioso" estréia nesta quarta (dia 28), no Sesc Consolação.

A peça, que é dirigida pelo próprio Bortolotto e traz no elenco Maria Manoela, Nilton Bicudo e Martha Nowil, conta a insólita história de amor entre um agente musical sem iniciativa e uma cantora que não sabe cantar. Trancados em um quarto de hotel, os personagens são confrontados com a própria solidão.

Sesc Consolação - teatro Sesc Anchieta (r. Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque, região central, tel. 3234-3000). 320 lugares. Ter. a qui.: 21h. Estréia 28/11. Até 20/12. 80 min. 14 anos. Ingr.: R$ 5 a R$ 20.




irei.

22.11.07



Aquisições na feira do livro USP:

- Ombros Altos, do Carlos Sussekind (tava pesquisando livros pra comprar na feira do livro, e olhando o site da 7Letras vi esse aí. procurei "Carlos Sussekind" no Google, no segundo resultado de busca, apareceu no resumo: "Carlos Sussekind é um dos dois ou três grandes escritores da literatura brasileira vivos". achei que provavelmente não era verdade mas que devia significar que merecia ser lido. não entrei no link. comprei o livro por R$2.)

- Neuromancer, do William Gibson (Aleph, R$20)
- Coração Envenenado - Minha vida com os Ramones, do Dee Dee (Barracuda, R$18)
- Longe de Ramiro, do Chico Mattoso (Editora 34, R$13)
- O Herói Devolvido, do Marcelo Mirisola (Editora 34, R$14)

Nesse momento acabou meu dinheiro e fiquei sem o Medo e Delírio em Las Vegas..


***


Minha família anda muito viajante. Minha irmã está em Curitiba, minha mãe no Chile, ambas a trabalho. Sobramos eu e os meninos.

Eu queria voltar ao Rio no dia 05 de dezembro, pro seminário de lançamento do Fórum Nacional de Direito Autoral (que pretende dar início a uma série de discussões entre diversos setores da sociedade e o Ministério da Cultura, com o objetivo de alterar a legislação sobre direito autoral no país - o que precisa ser feito antes de o Gil deixar o cargo no ano que vem, sob o risco de a mudança não sair ou sair desfavorável ao interesse público de acesso à informação, o que pode muito bem acontecer se o novo Ministro da Cultura for o Frank Aguiar, como sugeriu a Mônica Bergamo). Infelizmente minhas obrigações de fim de semestre não vão me permitir viajar por um dia inteiro.


***


Ontem joguei uma bituca no chão e ela caiu em pé.

21.11.07



5 horas. acabei o trabalho do SBT. horas e horas pra escrever duas páginas ruins. 3 horas pra dormir e acordar amanhã pra ver o Stallman (senhor mentor do software livre) às 10h na Poli.

20.11.07



"(...) ao procurar o amor envolve-se em imbroglios rocambolescos de irrecusável apelo cômico, cujo saldo é sempre o travo azedo da solidão e do desamor, sem contar as ressacas monumentais".


vontade de reler o Abacaxi do Reinaldo Moraes, mas não dá tempo. pé no saco. vontade de "navegar à deriva na sexualidade em uma nau de químicas alucinantes", como fala a crítica fake Lynda Boring na orelha do livro. mas não dá tempo.

"SBT: projeto de televisão pré-paga e relação com anunciantes". nada como um trabalho mala pra fechar com chave de merda o feriado.


(a gente faz merda, o Reinaldo Moraes se envolve em imbroglios rocambolescos de irrecusável apelo cômico. a gente é pego num troca-troca, o Reinaldo Moraes é pilhado em plena liturgia sodomita. mestre.)

19.11.07



O Rio de Janeiro é legal pra caraca ["Por que vocês cariocas falam 'caraca' ao invés de 'caralho'?" "Pô, eu falo caralho pra caraca, aí" HAHAH]. Cidade absurdamente bonita, cerveja barata, pessoas legais e caras gatos. Massa. Fiquei com vontade de viver lá por um tempo. Eu tenho vontade de morar em todas as grandes cidades do mundo por um tempo.


Roteiro de viagem (pra eu mesma não esquecer): Fórum de Governança da Internet, com almoço da Sun Microsystems (sushi e sahimi à vontade, lagosta, otras, 4 tipos de camarão, bacalhau, champagne e mesa de doces absurda) e rodízio japonês delicioso; debate sobre a Casa das Pombas no Centro de Cultura Social e boteco com pastéizinhos gostosos; exposições no centro (Gringo Cardia, cartazes brasileiros e coletiva da Magnum), almoço no boteco da Lapa, filme na casa do Fox e festa dos meninos muito engraçados na Tijuca; ressaca brutal, fazer almoço com a Helena, mostra de teatro da UFRJ, mais boteco dos pastéizinhos e cerveja no quiosque em Ipanema; praia, almoço, rodoviária. Muito bom, aprendi várias coisas no IGF (sobre o posicionamento dos atores e os interesses em jogo na questão de governança da Internet) e me diverti a valer com a Marina e a Helena.

Agora é a correria pra fechar o semestre. Vamo que vamo.

9.11.07



Por algum motivo escuso, hoje eu tava com a "Canção do Carro" do Rumo na cabeça. A "Canção do Carro" tá no disco O Sumo do Rumo, grande hit da infância no lar dos Carrança. Fiquei lá no ponto em frente à estação Eng. Goulart da CPTM, esperando chegar o Jd. Keralux, sentada embaixo da árvore, cantando Quem quer passear de carro? Quem quer passear de carro? Quem quiser passear de carro Então vem passear de carro! Eu vou deixar você buzinar Eu vou deixar você buzinar Fon-fon, fooooon!

Agora de madrugada (eu deveria estar terminando uma matéria e indo dormir porque eu tenho coisa pra caralho pra fazer amanhã o dia inteiro), fui procurar a letra da música no Google. Daí, no Terra Letras, embaixo do título da música, vejo: Composição: Woody Guthrie - versão: Pedro Mourão.

WOODY GUTHRIE. Woody Guthrie, senhor "primeira grande influência musical do Bob Dylan" (não, eu não estou com uma estranha obsessão pelo Dylan -- não maior do que o normal, pelo menos --, os dois posts em seqüência são pura coincidência). Turns out que a "Canção do Carro" é uma versão de "Riding in My Car", também conhecida como "Car Song", do Woody Guthrie.

Procurei a letra da original, a versão do Rumo e ela são parecidas pra burro. Baixei no Soulseek, folkzinho bom pra ser primeira faixa de uma road tape, praquela parte da viagem ainda na cidade, antes de chegar na estrada. Muito divertida. A do Rumo é mais animada, mas a do Woody Guthrie é bem legal também.

Agora já chega de passear
Breca, vira, vamos voltar
Brrrtktk, de marcha-ré
Vamos passear de carro!

5.11.07



Eu tinha uma idéia pra uma camiseta. Nela ia estar escrito "We should have been lovers". Era por causa de uma passagem do Quando Eu Era o Tal, em que o Sam Kashner conta que o Allen Ginsberg era perdidamente apaixonado pelo Bob Dylan, e como ele ficava nervoso de modo quase infantil quando ia encontrá-lo, apesar de eles serem amigos já há muitos anos na época em que se passa o livro (1975 a 1977, época em que o Kashner estudou na Jack Kerouac School of Disembodied Poetics, escola de poesia dos beats já velhos e solitários, no Colorado). O Dylan dizia sempre que o Ginsberg era um dos seus poetas preferidos, mas o Ginsberg tinha meio que uma mágoa dele, porque achava que eles deviam ter sido amantes.

A frase não está no livro, acho que o Kashner conta essa história em discurso indireto "Ginsberg achava que ele e Dylan deviam ter sido amantes", ou algo que o valha, não estou com o livro aqui e tenho preguiça de ir pegar pra conferir. E eu li em português. Mas lembro na hora de ter pensado isso em inglês. "We should have been lovers." Porque lovers não tem o mesmo peso que amantes, são conceitos distintos, na minha percepção. E essa é mesmo uma boa frase. Ficaria boa numa camiseta. (Fora que eu acho que eu devia ter sido lover de uma porção de gente que eu não fui.)

Daí que sei lá por que eu dou um Google nessa frase e..


(...) young Arab women wearing traditional head coverings posed for cellphone photos that would show their designer handbags, high heels or even T-shirts reading “We should have been lovers.” Young Arab men strutted like peacocks, hair slicked back or fashionably messy, shirts partly unbuttoned. Local teenagers, who seemed to pay little attention to the race itself, milled like suburban American mall rats.


É uma matéria do New York Times sobre o GRAND PRIX DE FÓRMULA UM EM BAHREIN. Aparentemente, jovens árabes ficam andando por lá de salto alto, usando a minha camiseta imaginária. A matéria foi publicada em 5 de agosto último. Eu li o Quando Eu Era o Tal e tive essa idéia acho que no ano passado, não lembro direito quando, foi na primeira vez que descobri a Edusp na Antiga Reitoria e não resisti a comprar o livro. E no Google só tem 13 ocorrências da expressão, não é como se fosse um refrão de música pop ou algo do tipo.

Eu temi.


Beware the mighty powers of memes.

3.11.07



tava limpando minha caixa de documentos, achei um caderno pequenininho com umas citações anotadas. pelas anotações sobre filmes de guerra que interrompem as citações, creio que as frases foram compiladas no meu 3º colegial, quando eu fiz uma monografia sobre esse tema. imagino que várias delas eu já devo ter publicado aqui no blog, mas achei um conjunto tão peculiar de boas frases que vou colocar aqui na seqüência que estão no caderninho.



Terra por si só não vira asfalto
Entre o concreto e o Pirelli
O cheira cola morre
A carne gruda, o sangue escorre


[Fred 04, "Sob o Calçamento (Se Espumar é Gente)"]



Kiss me. Kiss my lips, my hair, my fingers, my cock, my balls, my eyes, my brains. Make me forget.

[tá atribuido ao Bukowski, mas eu tenho a lembrança de isso ser do Bukowski personagem do filme Crônicas de um Amor Louco]



Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.


[Drummond, "Soneto da perdida esperança"]



Consiga empatia com o inimigo. A racionalidade não nos salva. Há algo além de cada um de nós.

[não tem créditos, mas eu tenho a impressão de ser de algum dos muitos filmes de guerra que eu vi na época. Hamburger Hill, talvez? Além da Linha Vermelha? não sei.]



Amar as mulheres inteligentes é um prazer de pederasta.

[Baudelaire, Meu Coração Desnudado]



A vida só tem um encanto verdadeiro: o encanto do jogo. Mas se nos é indiferente ganhar ou perder?

[idem]



E, você sabe como é, ou eu chego o braço mais perto dele, ou ele chega o braço mais perto de mim e ficamos logo sabendo que nós dois estamos juntos dentro dessa aura de sensação sexual, da qual todas as demais pessoas na sala estão excluídas.

[Drenka, personagem do Philip Roth em Teatro de Sabbath]



Preguiçosos em tudo, menos no amor e no beber, menos na preguiça.

[Lessing, epígrafe ao Direito à Preguiça do Paul Lafargue]



O que possuímos em cada um de nós, um excesso de vida, é o que o mundo mais detesta. Ofendemos. Cheiramos mal de tanta vida. Nosso coração ama o mundo, mas não de maneira suave. Somos brutais de tanta vida e nossa brutalidade se chama sofrimento.

[algum personagem dO Livro de Daniel, do E.L. Doctorow, livro que eu tava gostando pra burro mas nunca acabei de ler]



É preciso renunciar a tudo o que seja inferior à revolução. Renunciar à teorização, aos sonhos, à espera, à preparação, à demonstração. Tudo isso é menos do que a revolução e, portanto, não é ela nem nunca será. Uma revolução acontece. É um acontecimento! É uma mudança sobre a terra. É um novo animal. Uma nova conscientização! Sou eu! Eu sou a Revolução!

[idem]


***


Na caixa de documentos também tinha um vale-transporte, meio velho e amassado. A primeira coisa que pensei foi por que que eu não tinha usado ele antes e se ele ainda funcionaria. Daí virei no verso, pra ver o estado em que estava o bilhete, e vi um número de telefone anotado. Não tenho a menor lembrança desse menino ter me dado um vale-transporte com o telefone dele, mas aparentemente isso foi importante pra mim, já que o vale estava há anos guardado no fundo da caixa de documentos. Fiquei achando engraçado como a gente guarda objetos como lembrança de pessoas e no fim a gente esquece completamente desses objetos, mas das pessoas é difícil de esquecer.


***


Toda A Fantástica História de Silvio Santos pra ler entre hoje e amanhã. Maravilha. Uma porrada de trabalhos de fim de semestre a fazer, matérias a correr atrás e a escrever, textos a ler como preparação pro IGF, e essa prostração a me impedir de fazer qualquer coisa além de ver tv, dormir e cultivar mau humor.

2.11.07



Baby, baby don't be afraid of the dark