5.11.07



Eu tinha uma idéia pra uma camiseta. Nela ia estar escrito "We should have been lovers". Era por causa de uma passagem do Quando Eu Era o Tal, em que o Sam Kashner conta que o Allen Ginsberg era perdidamente apaixonado pelo Bob Dylan, e como ele ficava nervoso de modo quase infantil quando ia encontrá-lo, apesar de eles serem amigos já há muitos anos na época em que se passa o livro (1975 a 1977, época em que o Kashner estudou na Jack Kerouac School of Disembodied Poetics, escola de poesia dos beats já velhos e solitários, no Colorado). O Dylan dizia sempre que o Ginsberg era um dos seus poetas preferidos, mas o Ginsberg tinha meio que uma mágoa dele, porque achava que eles deviam ter sido amantes.

A frase não está no livro, acho que o Kashner conta essa história em discurso indireto "Ginsberg achava que ele e Dylan deviam ter sido amantes", ou algo que o valha, não estou com o livro aqui e tenho preguiça de ir pegar pra conferir. E eu li em português. Mas lembro na hora de ter pensado isso em inglês. "We should have been lovers." Porque lovers não tem o mesmo peso que amantes, são conceitos distintos, na minha percepção. E essa é mesmo uma boa frase. Ficaria boa numa camiseta. (Fora que eu acho que eu devia ter sido lover de uma porção de gente que eu não fui.)

Daí que sei lá por que eu dou um Google nessa frase e..


(...) young Arab women wearing traditional head coverings posed for cellphone photos that would show their designer handbags, high heels or even T-shirts reading “We should have been lovers.” Young Arab men strutted like peacocks, hair slicked back or fashionably messy, shirts partly unbuttoned. Local teenagers, who seemed to pay little attention to the race itself, milled like suburban American mall rats.


É uma matéria do New York Times sobre o GRAND PRIX DE FÓRMULA UM EM BAHREIN. Aparentemente, jovens árabes ficam andando por lá de salto alto, usando a minha camiseta imaginária. A matéria foi publicada em 5 de agosto último. Eu li o Quando Eu Era o Tal e tive essa idéia acho que no ano passado, não lembro direito quando, foi na primeira vez que descobri a Edusp na Antiga Reitoria e não resisti a comprar o livro. E no Google só tem 13 ocorrências da expressão, não é como se fosse um refrão de música pop ou algo do tipo.

Eu temi.


Beware the mighty powers of memes.