3.11.07



tava limpando minha caixa de documentos, achei um caderno pequenininho com umas citações anotadas. pelas anotações sobre filmes de guerra que interrompem as citações, creio que as frases foram compiladas no meu 3º colegial, quando eu fiz uma monografia sobre esse tema. imagino que várias delas eu já devo ter publicado aqui no blog, mas achei um conjunto tão peculiar de boas frases que vou colocar aqui na seqüência que estão no caderninho.



Terra por si só não vira asfalto
Entre o concreto e o Pirelli
O cheira cola morre
A carne gruda, o sangue escorre


[Fred 04, "Sob o Calçamento (Se Espumar é Gente)"]



Kiss me. Kiss my lips, my hair, my fingers, my cock, my balls, my eyes, my brains. Make me forget.

[tá atribuido ao Bukowski, mas eu tenho a lembrança de isso ser do Bukowski personagem do filme Crônicas de um Amor Louco]



Perdi o bonde e a esperança.
Volto pálido para casa.
A rua é inútil e nenhum auto
passaria sobre meu corpo.


[Drummond, "Soneto da perdida esperança"]



Consiga empatia com o inimigo. A racionalidade não nos salva. Há algo além de cada um de nós.

[não tem créditos, mas eu tenho a impressão de ser de algum dos muitos filmes de guerra que eu vi na época. Hamburger Hill, talvez? Além da Linha Vermelha? não sei.]



Amar as mulheres inteligentes é um prazer de pederasta.

[Baudelaire, Meu Coração Desnudado]



A vida só tem um encanto verdadeiro: o encanto do jogo. Mas se nos é indiferente ganhar ou perder?

[idem]



E, você sabe como é, ou eu chego o braço mais perto dele, ou ele chega o braço mais perto de mim e ficamos logo sabendo que nós dois estamos juntos dentro dessa aura de sensação sexual, da qual todas as demais pessoas na sala estão excluídas.

[Drenka, personagem do Philip Roth em Teatro de Sabbath]



Preguiçosos em tudo, menos no amor e no beber, menos na preguiça.

[Lessing, epígrafe ao Direito à Preguiça do Paul Lafargue]



O que possuímos em cada um de nós, um excesso de vida, é o que o mundo mais detesta. Ofendemos. Cheiramos mal de tanta vida. Nosso coração ama o mundo, mas não de maneira suave. Somos brutais de tanta vida e nossa brutalidade se chama sofrimento.

[algum personagem dO Livro de Daniel, do E.L. Doctorow, livro que eu tava gostando pra burro mas nunca acabei de ler]



É preciso renunciar a tudo o que seja inferior à revolução. Renunciar à teorização, aos sonhos, à espera, à preparação, à demonstração. Tudo isso é menos do que a revolução e, portanto, não é ela nem nunca será. Uma revolução acontece. É um acontecimento! É uma mudança sobre a terra. É um novo animal. Uma nova conscientização! Sou eu! Eu sou a Revolução!

[idem]


***


Na caixa de documentos também tinha um vale-transporte, meio velho e amassado. A primeira coisa que pensei foi por que que eu não tinha usado ele antes e se ele ainda funcionaria. Daí virei no verso, pra ver o estado em que estava o bilhete, e vi um número de telefone anotado. Não tenho a menor lembrança desse menino ter me dado um vale-transporte com o telefone dele, mas aparentemente isso foi importante pra mim, já que o vale estava há anos guardado no fundo da caixa de documentos. Fiquei achando engraçado como a gente guarda objetos como lembrança de pessoas e no fim a gente esquece completamente desses objetos, mas das pessoas é difícil de esquecer.


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Toda A Fantástica História de Silvio Santos pra ler entre hoje e amanhã. Maravilha. Uma porrada de trabalhos de fim de semestre a fazer, matérias a correr atrás e a escrever, textos a ler como preparação pro IGF, e essa prostração a me impedir de fazer qualquer coisa além de ver tv, dormir e cultivar mau humor.