31.10.06



Eu sou uma bêbada intolerante.

Fui pra aula de Ética hoje, meio bêbada após cervejas pós ato no consulado, e fiquei achando tudo uma tremenda besteira. Não o conteúdo da aula propriamente, que era o panoptismo do Foucoult, mas vários comentários decorrentes dele.

Não sei se normalmente se fala menos besteiras nas aulas, mas suspeito que elas apenas me incomodam menos quando eu tô sóbria.

Por exemplo (e isso em geral, não só na aula de hoje), alguém precisa chacoalhar esses malditos pós-modernos! "Autonomia dos mecanismos de vigilância"? O caralho! Os mecanismos de vigilância estão sob controle de grupos bastante específicos, com interesses bem delimitados. Não tem autonomia nenhuma. (Mesmo problema de quem encara a mídia como um poder paralelo)

Comer. Ver TV. Dormir. Agora.

Amanhã de manhã, fazer pesquisa da minha matéria imbecil. Perto dela a matéria sobre creches é terrivelmente interessante. Matéria da semana: "a relação dos parlamentares com a comunidade". Conclusão precipitada: a relação é de filho da puta. Eu TÃO não sou a pessoa certa pra essa pauta..

29.10.06



ATO DE PROTESTO NO CONSULADO MEXICANO
Terça-feira, dia 31/10, às 13h
Rua Holanda, 274 (travessa da Av. 9 de Julho, no Jd. Europa)


Em repúdio à violência contra o povo de Oaxaca
Em repúdio ao assassinato do jornalista Brad Will
Por uma imprensa livre
Pela renúncia de Ulises Ruiz!

28.10.06



Um voluntário do Centro de Mídia Independente foi morto cobrindo a resistência popular em Oaxaca, no México!


Link para a matéria:

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2006/10/363227.shtml
Paramilitares pró-governo assassinam voluntário do Indymedia e ferem
população civil de Oaxaca



e-mail bonito do Pablo sobre o cara:

> De: Pablo Ortellado
> Data: 28 de outubro de 2006 2h24min8s GMT-02:00
> Para: imc-latina@lists.indymedia.org, cmi-brasil@lists.indymedia.org
> Assunto: [Cmi-brasil] Brad
>
> Na tarde desta sexta-feira, dia 27 de outubro, recebemos com muita
> tristeza a notícia da morte do nosso companheiro Brad Will.
>
> Eu conheci o Brad em algum momento em 2002 nas mobilizações do
> movimento de resistência global. Brad tinha sido despejado de uma
> ocupação em Nova Iorque, processou a polícia por abuso e com o
> dinheiro que recebeu empreendeu uma longa viagem pela América Latina.
> A esta viagem em 2002 depois seguiram-se outras e ele acompanhou de
> perto nos últimos anos todos os acontecimentos importantes do continente:
> as mobilizações contra os organismos multilaterais em Fortaleza e Quito;
> a resistência do movimento sem-teto em Goiânia; as mobilizações dos
> Aymara em El Alto, na Bolívia; os piquetes e as assembléias populares
> na Argentina e, finalmente, a comuna de Oaxaca, no México.
>
> Brad estava perseguindo a história do nosso continente e sua morte,
> aparentemente por forças paramilitares que reprimiam a comuna, é de uma
> injustiça dolorida. Toda morte parece inexplicável para os que ficam,
> mas a morte de um jovem, a morte por assassinato e a morte pelos ideais
> é especialmente imperdoável.
>
> A morte de Brad não deixa de ser digna das opções que fez. Brad morreu
> tentando mostrar ao mundo o que a mídia empresarial não mostra; morreu
> apoiando os companheiros de Oaxaca que estão construindo a democracia
> direta; morreu na América Latina que é onde estavam as suas esperanças.
> Se pudesse ter escolhido um lugar, uma causa e uma circunstância,
> possivelmente teria escolhido morrer assim: em Oaxaca, na América
> Latina; na defesa do processo revolucionário e com uma câmera na mão.
>
> Saudades, camarada, saudades!
>

26.10.06



amanhã é dia de quebrar tudo!

Dia Nacional de Luta pelo Passe Livre
26 de outubro, concentração às 13h30 na Praça da Sé
depois manifestação pelo centro da cidade
e, no cair da noite, mostra de vídeos na Praça do Patriarca (a gente usa aquele monumento branco medonho da praça como tela para a projeção, é mó legal!)


apareçam e encham de alegria os corações ranzinzas dos passe-livreiros (que andam num mau humor e num bode tão grande que tá duro!).

24.10.06



Descobrindo que quando a gente está terrivelmente ocupada de coisas legais, nem é um problema estar ocupada. Não digo que nem parece que a gente está ocupada, mas a correria se torna prazerosa.

Fiquei fazendo um monte de drama quanto à minha matéria da semana passada, que era sobre falta de creche no Jardim São Remo (assunto palpitante, não?), mas a verdade é que eu me diverti fazendo. É bem legal esse lance de ficar falando com um monte de gente, conseguindo pedacinhos de informação que no final você junta e vira uma informaçãozona. E olha que, no geral, eu nem gosto de falar com gente. Mas eu gostei. Talvez a mãe do Ber esteja certa, uma vez, me dando carona, ela disse que quando o vício do Jornalismo te pega, você não consegue mais fugir. Ou talvez seja só porque foi a primeira vez que minha matéria saiu sem problema nenhum, porque meu editor novo é competente pacas, além de prestativo e gentil pra burro.

Ia continuar falando bem da vida, mas desisti. O que dá ibope em blog é mimimi, não é mesmo?

Fato é que eu ando extremamente bem humorada e feliz já há alguns meses. Daí eu fico esperando acabar a qualquer momento, mas tá durando. E assim, a troco de nada. A troco de estudar coisas legais durante a semana e beber cerveja de fim de semana. I'm easy to please.


Thais hearts everyone.

21.10.06



EU SOU UMA MÁ PESSOA.

[post propositalmente hermético, só pra me lembrar, toda vez que eu entrar aqui, até a próxima atualização, de que EU NÃO VALHO NADA. a regra de ouro devia valer nessas situações, não façais a outro o que te deixa puta, mal humorada e fazendo mimimi quando fazem com você. alcohol is the evil girl's best friend.]

16.10.06



Minha mãe estava passando roupa na sala, outro dia. Eu passei por ela indo pra cozinha e ela falou Vem aqui, deixa eu te ensinar a passar meia pro seu marido. E eu falei que não precisava, que eu jamais ia passar meias. E ela insistiu, falando pra eu vir aqui aprender, senão depois meu marido ia falar por aí que minha mãe não tinha me ensinado. Daí ela mostrou esse jeito todo afrescalhado de dobrar e passar meias. Eu perguntei por que diabos ela não dobrava simplesmente pela metade como todo mundo. E ela disse que dobrada pela metade dá trabalho calçar, a pessoa tem que se agaixar e é coisa pra quem não tem barriga.

Por um lado eu fiquei feliz, pensando que pelo menos a minha mãe acredita que eu vou ter um marido, ao invés de morrer solteira e ter meu cadáver encontrado 8 dias depois com o rosto parcialmente comido pelos meus gatos. Por outro, minha mãe acha que eu não consigo coisa melhor do que um gordo, preguiçoso e machista.

15.10.06



Parabéns! Você agora é segurado da Previdência Social.


You'll wish you were sixteen again

12.10.06



O Wander Wildner saiu de novo do Replicantes e agora a banda tem uma mina no vocal.

THE HORROR.

7.10.06



Eu tenho esse problema de prestar mais atenção no começo dos CDs do que no fim. Então, às vezes, apesar de já ter ouvido um disco inteiro várias vezes, eu me surpreendo com alguma música do final, na qual nunca tinha reparado atentamente antes.

Tava ouvindo o Cripple Crow do Devendra Banhart, quando de repente


I see so many little boys I want to marry
I see plenty little kids I've yet to have

Even when the moon goes out
Even when the sea dries out
I still see so many little boys I want to marry
I see plenty little kids I've yet to have now
Even when the sea's all free
And everything's lying on me
Even when the sun ceases to shine
I won't care, I'll still have on my mind
So many little boys I want to marry yeah yeah
I see plenty little kids I've yet to have

And in the shower I get my dreaming done
I hold my breath and I wait for the day to come
Oh little Billy, little Timmy, little Jimmy, you're the one
I may not look it, but I swear my heart is young for so many.
Little boys I want to marry



Little Boys, penúltima faixa do CD.

And I was like... WTF?!

5.10.06



O mundo é uma merda, mas a vida é boa.

Disse o Ber ontem no bar.

Não sei em que contexto porque eu tava pescando conversa alheia,

mas faz sentido pra caralho.

4.10.06



Céus. Bom mocismo. Se ser politicamente correto te impede de ser bem humorado, sai dessa, bro.

Ontem, mesa de bar com pessoas da minha sala, longa conversa com os coleguinhas achando um absurdo o fato de eu ter tomado um porre com os meus amigos (os amigos Toldo Azul) em comemoração à morte do Ubiratan.

Que onde já se viu, é um ser humano. Nenhum ser humano deve ser morto. E que você comemorar a morte dele torna justificável que outros comemorem a morte dos 111 presos. E imagina o sofrimento da família dele. E o que você tá defendendo é a pena de morte. Etc.

Eu tentei explicar que o Ubiratan, pra além de ser um ser humano, era um símbolo. E que, não, eu não era a favor da pena de morte, eu não mataria o Ubiratan, nem acredito que essa deva ser institucionalmente a resposta pros crimes que ele cometeu, mas que, uma vez morto, tanto melhor, pô! Menos um. E que quem comemora a morte de 111 presos é um grandessíssimo filho da puta e ponto. Tá do outro lado da trincheira e eu não quero nem saber. E o Ubiratan não tem mãe, convenhamos.

Isso uma semana depois de eu ter tido uma tretinha com um dos guris da minha sala por conta de "Orgia de Travecos" (ele acha a letra um absurdo, eu acho estupidamente engraçada).

E, puta. Sério mesmo. Essa coisa de se basear em parâmetros universais (TODO ser humano merece viver, NENHUM preconceito é engraçado) em mesa de bar tira boa parte da graça da coisa.

Parâmetros universais no mundo sério (ou nem nele!). Bom humor na mesa de boteco.

E tenho dito.

1.10.06



No tópico de vocabulário da comunidade do UDR no Orkut:


- o q eh MEFISTO ?
- quando uma pessoa faz um fist fuck nela mesma



Caralho. MORRI.
Da infinita série Atire no Tradutor:


O La Peste Brune ("A Peste Marrom/Parda") do Daniel Guérin, na versão MEDONHA que eu achei na estante de livros que eram do meu avô, virou Hitler...! Defesa ou Invasão da Europa...? de Daniel Guerén. Assim com as reticências mesmo. Um dos livros mais mal traduzidos que eu já li na vida - na verdade, que eu nem consegui ler, de tão inacreditavelmente ruim. Não consegui descobri se é brasileira ou portuguesa, só sei que é um lixo! Edições Palacio.

Destaque para a contra-capa: "Leiam...! / Guerra aos Judeus Pela Paz Mundial / A Questão Sexual e o Matrimônio (Erotismo e Frieza) / À venda em todas as livrarias".

Livros velhos: como não amá-los? Mesmo com traduções imprestáveis são objetos cheirosos e adoráveis (pobres daqueles que têm rinite e não podem sentir o prazer de enfiar o nariz numa estante de livros bem velhos).

O livro é um apanhado de memórias da viagem de bicicleta do Guérin (viado comunista libertário) pela Alemanha, durante a ascensão do nazismo, em 1932 e 1933. Tô lendo em espanhol, boto aqui um trechinho. Só porque é dessas coisas de deixar qualquer esquerdista cabisbaixo.



Quando cierro los ojos veo de nuevo a esas multitudes obreras, fervientes y disciplinadas, esas Casas del Pueblo tan hermosas - demasiado hermosas; oigo esos cánticos viriles de las juventudes proletarias. Pienso en ese lento movimiento hacia la unidad de acción que, en las profundidades, se estaba apoderando de las masas...

La peste parda há pasado por allí.

¿Cuáles son exactamente sus destrozos? ¿Qué queda de esa Alemania que hemos conocido, comprendido, amado?

(...)

Un socialista que viaje actualmente por el otro lado del Rhin, tiene la impresión de explorar, después de un terremoto, una ciudad en ruinas. Aquí estaba hace sólo unos meses la sede del partido, del periódico, del sindicato; allí había una librería obrera. Enorme pabellones con la cruz gamada ondean hoy sobre esos inmuebles. Esta era una calle "roja", sabían pelear. Ahora sólo se encuentran hombres mudos de mirada inquieta y triste, mientras que los mocosos te rompen los tímpanos com sus ¡Heil Hitler!