Preciso tomar banho e me vestir pro ano novo. Me dei conta de que passei cinco dias de pijama.
31.12.05
30.12.05
Entrei pro lance do momento: o Last.fm. Quer dizer, na verdade eu já tinha feito um perfil há tempo suficiente pra esquecer a senha, mas quando fiz não consegui instalar o negócio que precisa ser instalado. Funciona assim: você instala uma espécie de spyware, um plugin no seu programa de ouvir música que manda pro seu perfil no Last.fm aquilo que você tá ouvindo. Daí ele cria estatísticas sobre seus hábitos e mostra quem é sua "vizinhança", as pessoas que escutam coisas parecidas com você. Além disso você adiciona seus amiguinhos que também tem perfil no site e tudo o mais. Quase um Orkut indie. É divertido. Meu perfil, se quiserem ser meus amiguinhos ou apenas ficar olhando admirados meu maravilhoso gosto musical.
27.12.05
25.12.05
posts
preciso aprender a ser SIMPÁTICA. daquele jeito que as pessoas acabam de conhecer e pensam "puxa, que pessoa mais AGRADÁVEL". alguma coisa me faz ser grossa e desnecessariamente crítica com as pessoas com quem eu falo pela primeira vez, mesmo quando eu acho a pessoa adorável e realmente gostaria de convencer ela de que eu sou bacana e que ela devia querer ser minha amiguinha. esse moço todo bonito e divertido que parece extremamente legal disse outro dia "eu ando tão chato pra caralho pra música que só tô gostando de Stones, Who, Clash e Sonic Youth". eu e toda minha inépcia respondemos "tá ficando velho". IMBECIL. eu poderia responder qualquer coisa simpática, ou divertida ou completamente neutra do tipo "é foda, véi", mas não. eu chamo o cara gato de velho. besta quadrada.
Pegada ecológica é um testezinho (via Träsel) que mede quantos planetas Terra seriam necessários pra todas as pessoas do mundo terem seu estilo de vida. pra que elas tenham o meu, diz o teste, seriam necessários 1,4 planeta. comendo carne, ovos e laticínios em todas as refeições. eu sou quase sustentável, olha só.
uma dessas coisas que você começa falando pela piada e quando vê já tá usando normalmente. preciso me impedir de chamar os outros de "benzinho". com urgência. na minha cabeça já é o vocativo padrão, fodeu.
e
You've got my number
Why don't you use it?
já se perguntavam os Undertones. se eu tivesse poderes Jedi, nunca mais discava o telefone. fazia as pessoas ligarem pra mim quando eu quero muito que elas façam isso e não tinha que ficar só torcendo pra que elas fizessem. e, bem, eu sei que eu poderia ligar e tudo o mais.. mas, erm, não. eu não vou não. Why don't you ring my number now?
17.12.05
12.12.05
TÁXI
O poeta passa de táxi em qualquer canto e lá vê
o amante da empregada doméstica sussurar
em seu pescoço qualquer podridão deste
universo.
Como será o amor das pessoas rudes?
O poeta não se conforma de não conhecer
todas as formas da delicadeza.
(Cacaso)
era desse poema que eu tava te falando aquele dia no bar, Rita.
8.12.05
Uma das coelhinhas perguntou o que eu queria ser ao sair da escola.
"Um poeta", eu disse.
Ela sorriu e começou a recitar Trees, de Joyce Kilmer. "Ela é minha poetisa favorita", disse.
Mesmo aos treze anos eu sabia que Joyce Kilmer era um homem e não muito bom poeta. Mas não disse nada. Quando ela recitou a palavra "bosom" (peito) no começo do poema, o peito dela estufou para me cumprimentar e de repente Trees de Joyce Kilmer se tornou o maior poema da língua inglesa, escrito por um homem com nome de mulher recitado por uma mulher vestida de coelha enquanto meu pai desenhava como Toulouse-Lautrec num guardanapo e o trânsito de final de semana rugia pela ponte.
(Sam Kashner - Trecho do livro "Quando eu era o tal")
Ontem, depois de ler isso aí no blog do Marião, pensei que talvez eu volte a escrever no ano que vem. "Voltar" provavelmente é um termo muito forte, já que eu nunca escrevi de verdade. Mas, em anos anteriores, volta e meia eu me dava ao trabalho de sentar no computador e dedicar duas horas a escrever alguma coisa já previamente lapidada mentalmente dias ou horas antes. Daí salvava e não mostrava pra ninguém. Ou mostrava pra poucas pessoas, sempre educadas o suficiente pra não fazerem eu me sentir mal por aquilo. Algum tempo depois, eu relia, achava uma merda, e apagava. Com o passar dos anos parei de escrever, pra não ter todo o trabalho de reler depois, achar uma merda e apagar. Passado mais um tempo, perdi o hábito de lapidar histórias mentalmente - quando o faço, é involuntário.
Mas o lance é o seguinte: eu sempre quis fazer algo. Algo artístico, digo. Queria ser apenas uma consumidora feliz com meu papel na cadeia produtiva das artes, e na maior parte do tempo eu sou mesmo, mas às vezes não. Daí, excluindo toda forma de criação coletiva (cinema, teatro, banda) - que eu não sei nem fazer trabalho de escola com outras pessoas -, sobram as artes plásticas e a literatura. Eu sou igualmente inepta pra ambos, mas acho que tentar escrever dá menos trabalho, quer dizer, o computador e os cadernos tão aí, eu domino razoavelmente a língua portuguesa, não tem, enfim, nenhum impedimento físico entre eu e a literatura.
Nunca me arrisquei a criar nada porque sempre me senti completamente incapaz de pensar em algo novo pra fazer. E, bem, se é pra fazer pior um troço que já foi feito antes, melhor deixar pra lá.
Daí, lendo o trecho do Quando eu era o tal, fiquei pensando como é do caralho o jeito com que alguns caras conseguem falar de suas mulheres ou de mulheres em geral. Esse jeito que o Marião tem, o Galera, o Reinaldo Moraes, e mais uma porrada de outros escritores. Um jeito não bunda mole ou sentimental, mas também não frio, machista ou escroto. Masculino pra caralho, ao mesmo tempo sacana e terno.
E fiquei pensando que nunca li nada que chegasse nem perto disso de autoras mulheres. Nunca li uma mulher falando de seu garoto com a despretensão e a ternura não sentimentalóide que esses caras conseguem. De um jeito feminino sem ser mulherzinha. Nunca vi mesmo. Pelo menos não do jeito que eu gostaria.
Daí resolvi que vou tentar. Vou começar escrevendo por aí, daí vemos no que dá. Quer dizer, vejo eu, que vou continuar não mostrando pra ninguém (e talvez continue relendo, achando uma merda e apagando depois, mas esperemos que não).
E por falar no blog do Marião Bortolotto, ele publicou lá hoje um texto bem desse tipo que eu falei. Em homenagem aos 25 anos da morte do Lennon. Parece que alguns escritores fizeram, pro Estadão, contos e textos sobre suas músicas preferidas do cara. O Marião escolheu "Jealous Guy".
5.12.05
Sábado eu tava vendo tv e digerindo comida japonesa, chegou meu pai com uns livros e uns impressos na mão e disse: "Deixa eu te mostrar um negócio que acho que dava um post pro seu blog". Esquisitíssimo. Mas aí vai o post do meu pai.
O William Blake, nos dois primeiros versos de The Tyger:
Tyger, Tyger, burning bright
In the forests of the night,
Mário Coutinho e Leonardo Gonçalves:
Tygre, Tygre, fogo ativo,
Nas florestas da noite vivo;
Ângelo Monteiro:
Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Paulo Vizioli:
Tigre, tigre, flamante fulgor
Nas florestas de denso negror,
José Paulo Paes, em 1985:
Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama
José Paulo Paes, em 1996:
Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Augusto de Campos:
Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
Mario Faustino:
Tigre, Tigre, ardendo fulgurante nas florestas da noite
Nunca gostei de poesia traduzida. Talvez eu perca muitas coisas em muitas línguas que não domino por isso, mas tenho maior sensação de perda quando leio uma tradução do que quando não leio poema nenhum. Tenho preguiça de tecer maiores comentários sobre as traduções acima, mas vejo problemas em todas - só falar isso já soa pretensioso, imagina só me meter a comentar! Digo só que a ordem não é aleatória e que gosto mais da do Mario Faustino, apesar de ser em prosa, apesar de perder a grafia original (Tyger, com y).
Ainda sobre traduções (apesar de não gostar delas, é um assunto que me diverte bastante), achei isso aqui há um tempos: um Dicionário de tradutores literários no Brasil, de um grupo de pesquisa sobre tradução literária da UFSC. A idéia é muito boa mas o resultado deixa a desejar pra burro. São pouquíssimos verbetes, estando ausentes alguns nomes completamente óbvios (cadê os irmãos Campos? o Antônio Houaiss? o Aurélio Buarque de Holanda?) - o que não chega a ser um problema grande, já que o site está, segundo ele próprio, "em permanente atualização". Ruim mesmo é que, ao invés de aproveitar os professores pesquisadores e o estudantes pra traçar um perfil do estilo de tradução dos caras, o Dicionário se dedica mais a biografar os tradutores. E, bem, pra que caralhos me adianta saber do Ivo Barroso (tradutor de Rimbaud) que "Seu pai era o farmacêutico da cidade e lhe dava todos os livros que pedia"? Se as biografias fossem só introdução pra análises da produção dos caras seria bacana, mas só elas é meio besta.
O William Blake, nos dois primeiros versos de The Tyger:
Tyger, Tyger, burning bright
In the forests of the night,
Mário Coutinho e Leonardo Gonçalves:
Tygre, Tygre, fogo ativo,
Nas florestas da noite vivo;
Ângelo Monteiro:
Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.
Paulo Vizioli:
Tigre, tigre, flamante fulgor
Nas florestas de denso negror,
José Paulo Paes, em 1985:
Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama
José Paulo Paes, em 1996:
Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,
Augusto de Campos:
Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,
Mario Faustino:
Tigre, Tigre, ardendo fulgurante nas florestas da noite
Nunca gostei de poesia traduzida. Talvez eu perca muitas coisas em muitas línguas que não domino por isso, mas tenho maior sensação de perda quando leio uma tradução do que quando não leio poema nenhum. Tenho preguiça de tecer maiores comentários sobre as traduções acima, mas vejo problemas em todas - só falar isso já soa pretensioso, imagina só me meter a comentar! Digo só que a ordem não é aleatória e que gosto mais da do Mario Faustino, apesar de ser em prosa, apesar de perder a grafia original (Tyger, com y).
Ainda sobre traduções (apesar de não gostar delas, é um assunto que me diverte bastante), achei isso aqui há um tempos: um Dicionário de tradutores literários no Brasil, de um grupo de pesquisa sobre tradução literária da UFSC. A idéia é muito boa mas o resultado deixa a desejar pra burro. São pouquíssimos verbetes, estando ausentes alguns nomes completamente óbvios (cadê os irmãos Campos? o Antônio Houaiss? o Aurélio Buarque de Holanda?) - o que não chega a ser um problema grande, já que o site está, segundo ele próprio, "em permanente atualização". Ruim mesmo é que, ao invés de aproveitar os professores pesquisadores e o estudantes pra traçar um perfil do estilo de tradução dos caras, o Dicionário se dedica mais a biografar os tradutores. E, bem, pra que caralhos me adianta saber do Ivo Barroso (tradutor de Rimbaud) que "Seu pai era o farmacêutico da cidade e lhe dava todos os livros que pedia"? Se as biografias fossem só introdução pra análises da produção dos caras seria bacana, mas só elas é meio besta.


