5.12.05

Sábado eu tava vendo tv e digerindo comida japonesa, chegou meu pai com uns livros e uns impressos na mão e disse: "Deixa eu te mostrar um negócio que acho que dava um post pro seu blog". Esquisitíssimo. Mas aí vai o post do meu pai.




O William Blake, nos dois primeiros versos de The Tyger:

Tyger, Tyger, burning bright
In the forests of the night,





Mário Coutinho e Leonardo Gonçalves:

Tygre, Tygre, fogo ativo,
Nas florestas da noite vivo;





Ângelo Monteiro:

Tigre, tigre que flamejas
Nas florestas da noite.





Paulo Vizioli:

Tigre, tigre, flamante fulgor
Nas florestas de denso negror,





José Paulo Paes, em 1985:

Tygre, Tygre, viva chama
Que as florestas de noite inflama





José Paulo Paes, em 1996:

Tigre, Tigre, viva chama
Que as florestas da noite inflama,





Augusto de Campos:

Tygre! Tygre! Brilho, brasa
que a furna noturna abrasa,





Mario Faustino:

Tigre, Tigre, ardendo fulgurante nas florestas da noite




Nunca gostei de poesia traduzida. Talvez eu perca muitas coisas em muitas línguas que não domino por isso, mas tenho maior sensação de perda quando leio uma tradução do que quando não leio poema nenhum. Tenho preguiça de tecer maiores comentários sobre as traduções acima, mas vejo problemas em todas - só falar isso já soa pretensioso, imagina só me meter a comentar! Digo só que a ordem não é aleatória e que gosto mais da do Mario Faustino, apesar de ser em prosa, apesar de perder a grafia original (Tyger, com y).

Ainda sobre traduções (apesar de não gostar delas, é um assunto que me diverte bastante), achei isso aqui há um tempos: um Dicionário de tradutores literários no Brasil, de um grupo de pesquisa sobre tradução literária da UFSC. A idéia é muito boa mas o resultado deixa a desejar pra burro. São pouquíssimos verbetes, estando ausentes alguns nomes completamente óbvios (cadê os irmãos Campos? o Antônio Houaiss? o Aurélio Buarque de Holanda?) - o que não chega a ser um problema grande, já que o site está, segundo ele próprio, "em permanente atualização". Ruim mesmo é que, ao invés de aproveitar os professores pesquisadores e o estudantes pra traçar um perfil do estilo de tradução dos caras, o Dicionário se dedica mais a biografar os tradutores. E, bem, pra que caralhos me adianta saber do Ivo Barroso (tradutor de Rimbaud) que "Seu pai era o farmacêutico da cidade e lhe dava todos os livros que pedia"? Se as biografias fossem só introdução pra análises da produção dos caras seria bacana, mas só elas é meio besta.