31.1.05



"Cara, que legal que a gente é nerd e a gente bebe... É o melhor dos dois mundos!"

"Você acredita no Japão?"

"As pessoas de roupa de baixo são felizes"



I believe in a thing called Bueno!

28.1.05



Achei o coturno perfeito. O coturno dos coturnos. O über coturno. Um Doc Martens. O 1940. Como são bonitos pra burro esses Doc Martens. Em dólares, é $ 119,95 o par. Pelo câmbio de ontem dá R$ 319,51. Complicado.


I work in a saloon, pulling shit pints for shit wages. It's a busy night tonight and the bar is full of all the girls I've ever shagged, or tampered with, or kissed, or even just fancied. A pub full of conquests, knockbacks. Between the laughter I can hear my name and then, through the gap between the swing doors and floor, I see your feet. You push open the doors and walk in and as always all heads turn. And the room becomes silent, except for the sound of your DM's scuffing on the floor. You stroll through the jealous gazes straight to the bar, smile, and ask me for some exotic cocktail but I don't know how to make it. So you just shrug, smile again, turn around and leave. I pull another pint.

(I Work in a Saloon, Arab Strap)

25.1.05



Eu tenho essas pastas cheias de textos. Não tenho a menor lembrança de onde foi que eu achei eles e, quando salvei-os, não tive a menor preocupação com créditos. É divertido pra caralho escolher uns aleatoriamente e ler. Achei um hoje absolutamente hilário. Não sei daonde veio, não sei de quem é. Suspeito que seja do CardosOnline ou de algum membro da falecida COLmunidade pelo tipo de humor e de piadas internas. Mas leiam aí e regozijem-se:



O PATINHO FEIO nasceu mesmo no meio dum monte de pato bonitinho e tudo o mais. Mas nessa versão ele não é um cisne - é mesmo um pato feio pra caralho. Se patos já não são os animais mais graciosos da natureza, imaginem então a situação desse coitado. Enquanto os irmãos cresciam bonitos e saudáveis, o patinho feio ficava trancado no quarto lendo Proust, Gore Vidal e escrevendo poemas góticos. Quando os seus irmãos começaram a levar as patinhas pra casa, o patinho feio se trancava no quarto pra fumar Capri. Nessa época ele entrou em depressão e tentou se matar cortando os pulsos duas vezes, mas em nenhuma ele achou sequer os seus braços. Mas aí um dia o patinho feio cresceu, foi pra faculdade e conheceu outros patinhos tão feios quanto ele. Frustrados e irados, eles não deixaram por menos: formaram uma banda cover do Belle & Sebastian.

24.1.05



Throwaway Style. Música foda. Pop Rock que um crítico americano qualquer caracterizaria como "catchy". Não sei traduzir esse droga de termo; é algo como "cativante", certo? E é isso mesmo, você ouve e balança os pés ou a cabeça no ritmo sem perceber. Fera encontrar esse tipo de música por aí - devo admitir que é meu tipo preferido: sing-alongs, faixas com potencial pra hit. Daí, cativado, você baixa mais umas canções da banda no peer-to-peer de sua preferência. E são todas excelentes, rock despretensioso, entre pop e punk como boa parte dessa nova safra rock'n'roll. Adolescente pra caralho, de um jeito que dizer que é "adolescente" não é ofensivo - o que é bem raro. Talvez um pouco mais alegrinho (e nós gostamos de rock alegrinho por aqui), provavelmente melhor do que a média. Curioso por saber mais, você busca o site da banda. Estranhamente, na página inicial lê-se


Thank you for everyone's prayers, support, and patience.

We love you ADAM, MATT, & JEREMY!!

Rest in Peace
!!


e no clipping de notícias, ao invés de resenhas e artigos elogiosos sobre a banda


Punk band loses three in crash (Rolling Stone, agosto de 2003)

Tragedy wrecks Portland band (Willamette Weeks, julho de 2003)


e lá se vai sua nova "descoberta". Numa porra de acidente de trânsito, vocalista, baterista e baixista mortos. Triste. E não é como descobrir uma banda da década de 70 fodíssima que existiu e acabou sem você conhecer. Era uma banda dos anos 00, de guris de 20 e poucos anos como seus amigos e como todas essas bandas bacanas de guris de 20 e poucos anos que existem por aí. Soa aquela coisa estúpida de "Oh, tão jovens e com tanto potencial" e talvez seja isso aí. Quer dizer, a porra da banda dos 70 ao menos teria deixado uma obra, não um album só, absolutamente genial, sem continuação. É frustrante pra caralho.

Exploding Hearts é a banda. Guitar Romantic o álbum. Se for baixar, começa com Throwaway Style e I'm a Pretender.


Agradecimentos ao Mateus por mandar Exploding Hearts pra mim via MSN.

21.1.05



Manifesto "Vem, Delícia!"

Ah! Vem delícia! O poder delicioso de todas as pessoas, os estados de alterações de consciência e demais perturbações fazem com que a pura delícia venha a calhar como o acaso e o desejo. E creiam meus caros e estimados irmãos, que tudo que é delícia vem porque quer ser delícia e assim sendo traz à tona todos os sentimentos selvagens e primitivos dos que buscam o prazer nas coisas. Cada coisa tem seu jeito de ser delícia, cada rapaz quer ser delícia, cada moça quer ser delícia e até mesmo seres nojentos como uma simples barata. Só querem ser delícia para conseguir seu montinho de porcaria e ter uma linda toca no esgoto.

Mas não vamos longe não, vamos delícia que isso sim é legal. Vamos delícia encher a cara no bar, vamos delícia procurar uma coisa boa pra fazer, vamos delícia beber a água do balde, vamos delícia se enroscar num monte de feno e ser bons camaradas. Vamos delícia curtir um passeio no mato, vamos ser delícia para os mosquitos que não se importam se você é legal ou não. Sendo sanguinho bom pra eles é delícia. E isso nós sabemos que somos.

Vem delícia quem quiser vir, quem não quiser também e estamos conversados. Não tentamos com isso afugentar quem não quer ser delícia. Podem apedrejar. Pedra vem delícia, marretada no crânio vem delícia, música ruim não. A manhã é uma delícia, mas o sol é só um fogo no espaço. Ou você acha que vai mudar o mundo lendo a contracapa? Ou vai conseguir enxergar direito as pernas de Ivete no palco? Ou vai chegar inteiro no trabalho segunda? Vem delícia aquela guitarra desafinada! Vem delícia que eu sei que música é. Quem mais sabe que música é? Lá menor e mi menor! É vem delícia vem que eu quero te amar!


Os Massa. kiko, fev. 2000



Vamos delícia encher a cara no bar, vamos delícia procurar uma coisa boa pra fazer, vamos delícia beber a água do balde, vamos delícia se enroscar num monte de feno e ser bons camaradas!

19.1.05



Um dia eu peguei a letra de Festa Punk e resolvi baixar uma porrada de faixas das bandas que eu ainda não conhecia e são citadas na música


Quero uma festa que não tenha Stones
Gosto muito deles, mas quero os Ramones
Quero uma festa que não tenha Beatles
Se é pra recordar prefiro Sex Pistols

Quero uma festa punk

Quero uma festa em que eu possa dançar
Clash, Undertones e GBH
Discharge no banheiro, Exploited na cozinha
Conflict na escada e Vibrators no sofá

Quero uma festa com os Kennedys
Eles é que sabem o que é Hardcore
Depois pra esfriar, pra afastar os junkies
Poguear um monte ouvindo Circle Jerks



dessa empreitada saíram algumas das minhas bandas preferidas no momento: Vibrators, Undertones, Stiff Little Fingers. São todas bandas punks do Reino Unido, surgidas na década de 70 (Inglaterra 76, Irlanda 75 e Irlanda 77, respectivamente) e catapultadas no verão de 77 pelo sucesso dos Pistols. Por algum motivo escuso, a maior parte dessas bandas que formavam a cena punk inglesa raramente são lembradas hoje. Basta, por exemplo, pegar o Mate-me por favor, cujo subtítulo pretensioso é A história do punk, nele apenas os Sex Pistols, o Clash e o Damned são citados na parte que narra a cena inglesa. Tremenda injustiça, tinha coisa boa pra caralho alí.

Mas enfim, essa longa introdução pra dizer o seguinte: poucas coisas me divertem mais do que história rock'n'roll. Se existisse uma faculdade de História da Cultura Pop, História do Rock'n'roll seria a matéria mais fodida. E daí que, lendo um monte de troços na internet sobre essas bandas, descobri um troço curioso. Sabia que o nome (FODA) "Stiff LIttle Fingers" veio de uma letra do Vibrators?


If it wasn't for your stiff little fingers
nobody would know you were dead



Ah, e sabe o que quer dizer "Circle Jerks"? Descobri outro dia, lendo o Not Proud. Talvez a confissão que me fez descobrir o significado deixe a coisa tão clara pra ti quanto o fez pra mim

When I fantasize, I never see myself as a girl (which I am). I always imagine that I'm a man, or a boy, with a cock. In my fantasies, I like to jack off, or fuck girls, or circle jerk with boys, or fuck other guys. Does this make me transgendered? I don't think so, because I don't want to be a boy in real life. I don't even want to be with guys, I like girls better.


E estas foram as Curiosidades Rock'n'roll de hoje, crianças. Espero que tenham gostado.

Ame o rock!

14.1.05



Hello, you're my very special one

Desculpa, mas a gente morre.

Frase na cabeça. Essa aí em cima. Associada a uma cena: sem qualquer introdução, a câmera foca, em close, um parto. Há algum filtro de cor, mas não tenho certeza se são cores frias ou quentes. Verde e azul, amarelo e laranja? Não sei. Não lembro se trata-se de uma cesariana, mas acho que sim. Não lembro se há trilha sonora ou se é silenciosa a cena ou ainda se são ouvidos gritos. Corta. Uma mulher acorda numa cama de armação de metal, mas não do tipo de metal do qual são feitas as camas baratas vendidas nas propagandas das lojas que vendem à prestação, aparentemente, é construída de algum metal maciço e deve ser pesada de arrastar. O móvel não encosta em nenhuma parede, em nenhum lado. O despertar da mulher e filmado de cima. Ela veste camisola branca leve, acorda com uma cara bem feita de gente que tava dormindo. Descabelada, mas sem o costumeiro exagero que busca demonstrar que alguém acaba de acordar. Com o rosto gorduroso. O quarto é bastante grande e claro. Há poucos móveis para tamanho espaço e o pé direito do cômodo é bem alto. Sobre uma mesinha, uma bacia branca de ágata e uma jarra com água. Não lembro se a mulher faz algo com esses objetos. Sei que em dado momento ela sai do quarto, e entra em algo que parece ser uma cozinha. Não sei se passa por um corredor pra isso ou se há um corte. Na cozinha há uma velha. Que diz Desculpa, mas a gente morre. E essa é a primeira fala do filme.

Daí acontece o seguinte: eu não sei se é mesmo um filme. Tenho a vaga impressão de ser um curta nacional visto em alguma mostra. No entanto, lembro das cenas de um jeito quase onírico, o que me faz pensar que talvez eu tenha inventado isso, ou lido e imaginado, ou sonhado mesmo. E tem essa frase. E ela insiste em martelar na minha cabeça. Desculpa, mas a gente morre.

6.1.05



Morreu o Will Eisner esse dia 3. Esquisito. Nunca tinha lido muita coisa do Eisner, só o absolutamente genial O Edifício, o Um Sinal do Espaço e alguns Spirit, mas nas últimas semanas tinha comprado uma porrada de Spirits velhos, como disse aqui no blog. E ontem, coincidentemente, ainda sem saber da morte do sujeito, passei boa parte da tarde lendo o primeiro volume de Quadrinhos e Arte Seqüencial. Trata-se de um estudo extremamente bem escrito sobre quadrinhos, um dos poucos tratados sérios sobre o assunto. Se foi o Eisner, inventor da graphic novel e grande cara.


Já há mais tempo, mas passou também no dia 28 de dezembro do ano passado a Susan Sontag. Intelectual americana fodona, cujo Diante da dor dos outros, ensaio sobre a experiência moderna de nos relacionarmos com a tragédia e a guerra através da fotografia, foi a principal fonte de reflexão pra minha monografia sobre filmes de guerra. Mas morreu doente e velhusca, deixando uma obra intelectual extensa e relevante. Um jeito tranqüilo de morrer, creio.


As mortes ficam aqui citadas, em singela homenagem a duas pessoas extremamente bacanas.