Esse fim de semana, por coincidência, fui em shows de duas bandas que se tornaram conhecidas e conquistaram seu público com produções independentes, disponiblizadas gratuitamente na internet:
Mombojó e
U.D.R.Mombojó eu conhecia só de nome e de ouvir as pessoas falarem bem. Já tinha ouvido uma ou outra música n
o MySpace dos caras, mas não tinha me impressionado particularmente. O show foi sexta-feira no novo Studio SP da Augusta (show sem nome na lista: R$25 seco; cerveja longneck: R$5; público: "Vila Madalena-Vila Olímpia", Municipal style).
Atualmente eu só gosto de ir em bar beber cerveja, não vou mais em balada fechada. Também não gosto mais de show grande, onde se paga caro pra não ver quase nada e por qualidade de som sofrível. Então ainda vou em balada às vezes, mas só pra ver show. Acho o melhor jeito de se ver uma banda: casa pequena, público que foi ali pela música, única merda é mesmo o preço da cerveja, sempre extorsivo.
Mas enfim, voltando ao Mombojó, foi massa. Talvez eu não pegasse um cd pra ouvir em casa, mas ao vivo foi bem foda. Mais de uma hora e meia de show, público dançando animado e cantando em coro, som bom, banda animada. Bacana.
Sobre a relação dos caras com internet:
Em 2003, o grupo foi contemplado com recursos do Sistema de Incentivo à Cultura da Prefeitura de Recife (PE) para produzir o primeiro disco: Nadadenovo. (...) Ao completar exatos três anos de formação em abril de 2004, a Mombojó encaixa o Nadadenovo como encarte da Revista OutraCoisa, a chamada “revista de Lobão” (L&C Editora), com distribuição nacional de 20 mil cópias pela Tratore, também sua Editora. Com isso, a Mombojó aderia definitivamente à tendência mundial de se fazer música de qualidade com produção e distribuição independentes, tendo inclusive desde o primeiro momento disponibilizado em seu site na Internet todas as faixas do disco para download gratuito, e ainda os arquivos completos de uma das faixas sob a licença Creative Commons. (
Wikipedia)
Principalmente em internet, que tem se mostrado a estratégia ideal para bandas independentes divulgarem o trabalho, pois você não tem limite de prensagem. Uma vez colocando a música na internet ela pode ser reproduzida infinitamente. O que a gente fez foi liberar as músicas pra esse download caseiro, que é uma forma que a lei hoje em dia trata a pirataria, que é a comercialização de cópias ilegais, e esse download caseiro da mesma forma. Quando na verdade é totalmente diferente. Essas leis estão sendo discutidas, em muitos países isso está mudando em algumas áreas, em informática. Desde a experiência da Xérox, nunca mais a população pode voltar atrás com essa coisa da cópia livre. O caminho da música é seguir o exemplo da literatura e da Xérox. (Marcelo Campello, no
Overmundo)
O Mombojó já é badalado aí no meio do open business da indústria fonográfica (FGV, Ronaldo Lemos, Overmundo, etc), agora a U.D.R. não. E eu acho o caso da relação da U.D.R. com tecnologia ainda mais interessante do que o Mombojó.
O show. O show foi ontem na Ocean (show: R$15; cerveja: open bar, variando entre Itaipava, Crystal e Lokal, distribuídas em copinhos de 200ml, sendo 100ml de espuma; público: metaleiros, new-metals e skinheads). A Ocean é podre. Podre pra caralho. É um puteiro-balada desagradável, quente, com paredes grudentas, banheiros escrotos e um público nível Madame Satã de beleza (elenco de apoio d
O Nome da Rosa style).
Era o lançamento do novo CD da U.D.R., Bolinando Straños. No último show dos caras em São Paulo, no Inferno, eles já tinham tocado várias das músicas do novo disco, então não teve grandes surpresas. Diferente do último show, dessa vez não tinha DJ, o
Porquinho controlava as bases no laptop. Diferente do último show, a platéia errou o fim de "Gigolô Autodidatada". Diferente do último show, onde algumas pessoas saíram da pista ofendidas na hora de "Todos os Nossos Fãs São Gays", dessa vez tinha careca cantando a música, impagável. Diferente do último show, esse foi pior. Mas foi bem divertido também, então tá valendo.
Agora estou tentando convencer o
Gus a escrevermos um artiguinho sobre a relação da U.D.R. com tecnologia. Tava falando pra ele que os caras fazem todas as bases no computador, caseiramente. Disponibilizam todas as músicas na rede. Fazem clipes tosqueira pro YouTube. Participam de trocentas redes de relacionamento. E eu tenho essa hipótese de que a música que eles fazem só é viável dentro desse ambiente de novas tecnologias. Se os caras fossem depender de gravadora e rádio FM pra cantar que "estupro de aleijado é uma coisa bem legal, não precisa abrir as pernas pra fazer sexo anal", tavam fodidos. OK, sempre teve coisa bizarra no underground (i.e., G.G. Allin cagando na platéia), mas U.D.R. é coisa bizarra 2.0.
[btw, essa semana o Gus apresenta o TCC dele sobre "novos modelos de negócios da indústria cultural" no seminário das quartas do Paulo Arantes]