23.4.06



Punk Rock Your My Big Crybaby

I'll tell my deaf mother on you! Fall on the floor
and eat your grandmother's diapers! Drums,
Whatta lotta Noise you want a Revolution?
Wanna Apocalypse? Blow up in Dynamite Sound?
I can't get excited, Louder! Viciouser!
Fuck me in the ass! Suck me! Come in my ears!
I want those pink Abdominal bellybuttons!
Promise you'll murder me in the gutter with Orgasms!
I'll buy a ticket to your nightclub, I wanna get busted!
50 years old I wanna Go! with whips and chains and leather!
Spank me! Kiss me in the eye! Suck me all over
from Mabuhay Gardens to CBGB's coast to coast
Skull to toe Gimme yr electric guitar naked,
Punk President eat up the FBI w/ yr big mouth.



(Allen Ginsberg, 1977)

14.4.06



Daniel Galera tá de livro novo!

Comprarei. Lerei. Vai ser massa.
Porra, como é triste quando um tradutor massacra um poema...


O poema do Allen Ginsberg pra Anne Waldman:


Pussy Blues

You said you got to go home and feed your pussycat
When I ask you to stay here tonight. Where's your pussy at?
Hey, it's Fourth of July
Say it's your U.S. Birthday
Yeah stay out all night National Hollyday
Tiger on your fence
Don't let him get away.




A tradução do Santiago Nazarian no Quando eu era o tal:


Mágoas da Xoxota

Você diz que tem de ir pra casa e alimentar a sua chaninha
Quando eu peço pra você ficar aqui esta noite. Onde sua chaninha está?
Ei, é quatro de julho
Diga que é seu aniversário dos Estados Unidos
Yeah, fique fora a noite toda Feriado Nacional
Tigre na sua cerca
Não o deixe ir embora.




Não é triste?


E aqueles versos bonitos do Iessiênin (Yesenin, Esenin), que terminam o último poema dele, escrito com o sangue dos seus pulsos cortados. Em russo eu não sei como é, em inglês no Quando eu era o tal é In this life, there is nothing new in dying,/ But nor, of course, is living any newer.

A versão dos irmãos Campos (que eu acho muito boa): Se morrer nesta vida não é novo/ Tampouco há novidade em estar vivo.

A tradução do Nazarian: Nesta vida, não há novidade alguma em morrer/ Mas também, claro, não é novidade viver.


Eu fico infeliz de verdade com essas coisas.

12.4.06



O herdeiro dos reis experimenta um vazio idêntico se a república o priva da sagração.


puta boa frase. (dá um pouco de nervoso ler Jean Genet, tem boas frases demais, jogadas como quem não quer nada, é meio desconcertante)

6.4.06



Nem a água do mar,
nem da máquina de lavar
pode separar dois amigos.

Na parede do quarto
você pode ver
como são unidos.

Léo junto ao Júlio
Júlio junto ao Leo,
Léo junto ao Júlio
Júlio junto ao Leo.

O Júlio é um menino
e o Léo é o seu leão.
Ele é o maior.
Ele é o melhor.
Ele é o seu mais
querido amigo.

Ele é o maior.
Ele é o melhor.
Ele é o seu mais
querido amigo.

Chegando da escola
o Júlio entra no seu quarto
procurando o amigo Léo,
vai ficando assustado.

Cadê o Léo, cadê o Léo
o Léo onde é que está?



Rá. Isso é que era programa de tevê pra criança! Banho de aventura. Que tinha o taxista, o japonês da lavanderia, o monstro de chiclete feito com todos os chicletes dos bolsos de todas as roupas que lavam em todas as lavanderias do mundo.

E a música da entrada era um barato. Achei pra ouvir em RealAudio aqui.

Mó legal.
Não é que eu não me importe, percebe? A coisa de não ouvir problemas dos outros e não contar problemas pra eles. Eu me importo sim. Mas eu me sinto terrivelmente constrangida. Eu não sei como reagir a um problema alheio: não gosto de dar conselhos e as pessoas se sentem ofendidas se você responde "dureza", "treta, hein?" ou variantes do gênero. Minha técnica atualmente é fazer mais perguntas sobre o problema, supondo que o que a pessoa quer mesmo é falar sobre a coisa e ser ouvida com empatia e interesse, não necessariamente ouvir algo de volta. Porque, aparentemente, minha suposição inicial, de que o que as pessoas querem quando contam um problema é que você mude de assunto bem rápido, tava equivocada. A tentativa de acabar com a situação constrangedora o mais rápido possível é percebida como não se importar. Dureza.


Não sei exatamente quando foi que eu passei a ficar tão constrangida com absolutamente tudo. Eu era uma dessas crianças extrovertidas. Eu fazia TEATRO (com todo o lance de falar um monte de coisas, fingindo ser uma coisa, na frente de um monte de gente) e era extremamente sociável. E mesmo no colegial, que foi, ahn, ontem, eu era razoavelmente hábil em me relacionar com as pessoas.

De uns tempos pra cá tá ficando difícil difícil difícil. E eu me sinto inadequada 95% do tempo e fico constrangida full time. Conhecer pessoas novas na faculdade tá foda, apesar de a grande maioria delas ser terrivelmente simpática. Mas as pessoas novas não estão sozinhas, eu me sinto terrivelmente constrangida com as pessoas de sempre também.

É foda, é foda. Mimimi.

3.4.06



Pô, como são legais os livros que SACAM.


Meu maior medo irracional do mundo é (e tem sido há muitos anos) de mão gelada no escuro. Mão desconhecida gelada no escuro. Terror.


Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido. Ele quer ver aquilo que o está tocando; quer ser capaz de conhecê-lo ou, ao menos, de classificá-lo. Por toda parte o homem evita o contato com o que lhe é estranho. À noite ou no escuro, o pavor ante o contato inesperado pode intensificar-se até o pânico. Nem mesmo as roupas proporcionam segurança suficiente - quão facilmente se pode rasgá-las, quão fácil é avançar até a carne nua, lisa, indefesa da vítima. (...) A mão transformada em garra é o símbolo que sempre se emprega para representar esse medo.

(Elias Canetti, Massa e Poder)