14.4.06

Porra, como é triste quando um tradutor massacra um poema...


O poema do Allen Ginsberg pra Anne Waldman:


Pussy Blues

You said you got to go home and feed your pussycat
When I ask you to stay here tonight. Where's your pussy at?
Hey, it's Fourth of July
Say it's your U.S. Birthday
Yeah stay out all night National Hollyday
Tiger on your fence
Don't let him get away.




A tradução do Santiago Nazarian no Quando eu era o tal:


Mágoas da Xoxota

Você diz que tem de ir pra casa e alimentar a sua chaninha
Quando eu peço pra você ficar aqui esta noite. Onde sua chaninha está?
Ei, é quatro de julho
Diga que é seu aniversário dos Estados Unidos
Yeah, fique fora a noite toda Feriado Nacional
Tigre na sua cerca
Não o deixe ir embora.




Não é triste?


E aqueles versos bonitos do Iessiênin (Yesenin, Esenin), que terminam o último poema dele, escrito com o sangue dos seus pulsos cortados. Em russo eu não sei como é, em inglês no Quando eu era o tal é In this life, there is nothing new in dying,/ But nor, of course, is living any newer.

A versão dos irmãos Campos (que eu acho muito boa): Se morrer nesta vida não é novo/ Tampouco há novidade em estar vivo.

A tradução do Nazarian: Nesta vida, não há novidade alguma em morrer/ Mas também, claro, não é novidade viver.


Eu fico infeliz de verdade com essas coisas.