6.4.06

Não é que eu não me importe, percebe? A coisa de não ouvir problemas dos outros e não contar problemas pra eles. Eu me importo sim. Mas eu me sinto terrivelmente constrangida. Eu não sei como reagir a um problema alheio: não gosto de dar conselhos e as pessoas se sentem ofendidas se você responde "dureza", "treta, hein?" ou variantes do gênero. Minha técnica atualmente é fazer mais perguntas sobre o problema, supondo que o que a pessoa quer mesmo é falar sobre a coisa e ser ouvida com empatia e interesse, não necessariamente ouvir algo de volta. Porque, aparentemente, minha suposição inicial, de que o que as pessoas querem quando contam um problema é que você mude de assunto bem rápido, tava equivocada. A tentativa de acabar com a situação constrangedora o mais rápido possível é percebida como não se importar. Dureza.


Não sei exatamente quando foi que eu passei a ficar tão constrangida com absolutamente tudo. Eu era uma dessas crianças extrovertidas. Eu fazia TEATRO (com todo o lance de falar um monte de coisas, fingindo ser uma coisa, na frente de um monte de gente) e era extremamente sociável. E mesmo no colegial, que foi, ahn, ontem, eu era razoavelmente hábil em me relacionar com as pessoas.

De uns tempos pra cá tá ficando difícil difícil difícil. E eu me sinto inadequada 95% do tempo e fico constrangida full time. Conhecer pessoas novas na faculdade tá foda, apesar de a grande maioria delas ser terrivelmente simpática. Mas as pessoas novas não estão sozinhas, eu me sinto terrivelmente constrangida com as pessoas de sempre também.

É foda, é foda. Mimimi.