28.5.05



Attila the Hun, suffered a severe nosebleed and choked to death on his wedding night.

Jack Daniel, founder of the famous Tennessee whiskey distillery, died of blood poisoning due to a toe injury he received after kicking his safe in anger when he could not remember its combination code.

Allan Pinkerton, detective, died of gangrene resulting from having bitten his tongue after stumbling on the sidewalk.

François Faber, Luxembourgean Tour de France winner, while in a trench on the western front of World War I. He received a telegram saying his wife had given birth to a daughter. He cheered, giving away his position, and was immediately shot by a German sniper.




I like it when you die

24.5.05



Histórias em quadrinhos são a fantasmagórica fascinação daquelas pessoas de papel, paralisadas no tempo, marionetes sem cordões, imóveis, incapazes de serem transpostas para os filmes, cujo encanto está no ritmo e dinamismo. É um meio radicalmente diferente de agradar os olhos, um modo único de expressão. O mundo dos quadrinhos pode, em sua generosidade, emprestar roteiros, personagens e histórias para o cinema, mas não seu inexprimível poder secreto de sugestão que reside na permanência e imobilidade de uma borboleta no alfinete.

Federico Fellini

22.5.05



Sabia que após a 2ª Guerra Mundial foi proposto que outra música que não A Marselhesa se tornasse o hino oficial da França? A canção escolhida para substituir o hino, tido por muitos como o mais bonito do mundo, era o Chant des Partisans (também chamado Chant de la Libération), o hino da Resistência Francesa, que se tornara extremante popular com a vitória dos Aliados. A proposta acabou não sendo aceita e A Marselhesa foi mantida como hino oficial pela Constituição de 1946.

Dá pra baixar a canção aqui. [Você vai notar um silêncio bem grande antes da música começar e um silêncio ainda maior no fim. Não é um inferno quando isso acontece? Pra solucionar o problema, descobri esse programinha fabuloso e um bocado simples de usar, o mpTrim. Com ele dá pra tirar pedaços indesejáveis de músicas, ajustar o volume, inserir fade-in e fade-out pra música não começar ou acabar abruptamente. É uma farra, enfim. Útil pra burro pra melhorar a qualidade de arquivos mp3 sem ter muito trabalho.]


A letra do Chant de la Libération:


Ami, entends-tu le vol noir des corbeaux sur nos plaines ?
Ami, entends-tu ces cris sourds du pays qu'on enchaîne ?
Ohé partisans, ouvriers et paysans, c'est l'alarme !
Ce soir l'ennemi connaîtra le prix du sang et des larmes.

Montez de la mine, descendez des collines, camarades,
Sortez de la paille les fusils, la mitraille, les grenades;
Ohé les tueurs, à la balle et au couteau tuez vite !
Ohé saboteur, attention à ton fardeau, dynamite !

C'est nous qui brisons les barreaux des prisons, pour nos frères,
La haine à nos trousses, et la faim qui nous pousse, la misère.
Il y a des pays où les gens aux creux des lits font des rêves
Ici, nous, vois-tu, nous on marche et nous on tue nous on crève

Ici chacun sait ce qu'il veut, ce qu'il fait quand il passe ;
Ami, si tu tombes, un ami sort de l'ombre à ta place.
Demain du sang noir séchera au grand soleil sur les routes
Chantez, compagnons, dans la nuit la liberté nous écoute.
>



e uma tradução tosqueira feita por mim, olhando no dicionário e na tradução para o inglês, seguindo o plano de aprender francês de orelhada:


Amigo, ouve o vôo negro do corvo sobre nossos campos?
Amigo, ouve os gritos abafados do país sendo acorrentado?
Oh guerrilheiros, operários e camponeses, é o alarme!
Essa noite o inimigo conhecerá o preço do sangue e das lágrimas.

Subam das minas, desçam das colinas, camaradas,
Tirem da palha os fuzis, a metralhadora, as granadas;
Oh assassinos, na bala e na faca matar rapidamente!
Oh sabotadores, atenção a seu fardo, dinamite!

Somos nós que quebramos as barras das prisões, pelos nossos irmãos,
O ódio nos levanta, e a fome que nos incita, a miséria.
Há países onde as pessoas sonham em suas camas
Aqui, nós, veja, nós marchamos e nós matamos, nós morremos.

Aqui, cada um sabe o que quer, e o que fazer quando seguir
Amigo, se morreres, um amigo sairá das sombras e te substituirá.
Amanhã o sague negro secará ao sol nas estradas
Cantem, companheiros, na noite a liberdade nos escuta.



Violentíssimo, não? Mas eu acho bastante bonito, também. E não que A Marselhesa seja mais pacífica:


Allons enfants de la Patrie,
Le jour de gloire est arrivé!
Contre nous de la tyrannie,
L'étendard sanglant est levé, (bis)
Entendez-vous dans les campagnes
Mugir ces féroces soldats?
Ils viennent jusque dans vos bras
Egorger vos fils et vos compagnes!

Aux armes, citoyens,
Formez vos bataillons,
Marchons, marchons !
Qu'un sang impur
Abreuve nos sillons !




Levantem-se filhos da pátria
O dia de glória é chegado!
Contra nós da tirania
A bandeira sangrenta foi levantada
Ouvem nos campos
O uivo desses ferozes soldados?
Eles vêm até seus braços
Degolar seus filhos e suas companheiras!

Às armas, cidadãos,
Formem seus batalhões,
Marchem, marchem!
Que o sangue impuro
Ensopará nossos campos!


Só é o mais bonito do mundo porque é em francês. E francês é um barato.
(Mil perdões pelas traduções medonhas, são só exercícios.)

18.5.05







Um republicano espanhol avaliando a derrota da República contra as tropas de Franco:
"Nós perdemos todas as batalhas, mas fomos nós quem fizemos as mais belas canções"



Alguma dúvida quanto a isso?

Los Cuatro Generales


Que coisa bonita pra caralho.




Puente de los franceses, (ter)
mamita mía,
nadie te pasa. (bis)

Porque los milicianos, (ter)
mamita mía,
qué bien te guardan. (bis)

Por la Casa de Campo, (ter)
mamita mía,
y el Manzanares. (bis)

Quieren pasar los moros, (ter)
mamita mía,
no pasa nadie. (bis)

Madrid, qué bien resistes, (ter)
mamita mía,
los bombardeos. (bis)

De las bombas se ríen, (ter)
mamita mía,
los madrileños. (bis)


14.5.05



My girlfiend said to me in bed last night, "you're a pervert" I said, "that's a big word for a girl of nine".


- Emo Philips.
Fotojornalismo. Lindo.

11.5.05





EMBRIAGAI-VOS

      É necessário estar sempre bêbedo. Tudo se reduz a isto; eis o único problema. Para não sentirdes o fardo horrível do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem tréguas.
      Mas - de que? De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor. Contanto que vos embriagueis.
      E, se algumas vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder:
      - É a hora da embriaguez! Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar! De vinho, de poesia ou de virtude, como achardes melhor.



(Baudelaire. Pequenos Poemas em Prosa)





VIII

        A minha embriaguez em 1848.
      De que natureza era essa embriaguez? Gosto da vingança. Prazer natural da demolição. Embriaguez literária; lembrança das leituras.
      O 15 de Maio. Sempre o gosto da destruição. Gosto legítimo, se é legítimo tudo quanto é natural.
      Os horrores de junho. Loucura do povo e loucura da burguesia. Amor natural do crime.
      Meu furor ante o golpe de Estado. Quantos tiros levei! Mais um Bonaparte! Que vergonha!
      E tudo, no entanto, se pacificou. Não tem o Presidente um direito a invocar?
      O que é o Imperador Napoleão III. O que ele vale. Achar a explicação da sua natureza, e da sua providencialidade.



IX

      (...)
      1848 só foi divertido porque cada um fazia utopias como castelos no ar.
      1848 só foi encantador pelo próprio excesso do ridículo.
      (...)



XCV

      
Higiene. Conduta. Método. - Juro a mim mesmo tomar, de hoje por diante, as seguintes regras como regras eternas da minha vida:
      Rezar todas as manhãs minha oração a Deus,
reservatório de toda a força e de toda a justiça, a meu pai, a Mariette e a Poe, como intercessores; rogar-lhes que me comuniquem a força necessária para cumprir todos os meus devers, e concedam à minha mãe uma vida bastante longa para gozar da minha transformação; trabalhar o dia inteiro, ou pelo menos tanto quanto mo permitirem as minhas forças; confiar em Deus, isto é, na Justiça mesma, para bom êxito dos meus projetos; rezar todas as noites uma nova reza, para pedir a Deus vida e força para minha mãe e para mim; dividir tudo quanto eu ganhar em quatro partes - uma para o dia-a-dia, uma para os meus credores, uma para os meus amigos, e uma para minha mãe; obedecer às normas da mais estrita sobriedade, a primeira das quais é a supressão de todos os excitantes, sejam quais forem.


(Baudelaire. Meu coração desnudado)





a morte da utopia.

8.5.05




Vincent Gallo, torto de sexy em sua cueca de pelúcia.

4.5.05



(sob o risco de soar fag)


Saindo do cursinho fora do horário usual (quase 5 horas, por causa da aula de Redação), reparar num movimento completamente diferente do das 6 e meia da manhã e do do meio-dia e pouco, horários em que eu ando pela rua normalmente, indo e voltando da aula. Passar na frente de um boteco sujo, abarrotado de homens, e sentir cheiro de cerveja choca e de gente, um cheiro forte o suficiente pra ser percebido da calçada. Um buzinaço na faixa da Vergueiro sentido bairro, por motivo nenhum aparente. Nada parecia impedir o trânsito, mas os carros buzinavam despudoradamente do mesmo jeito. No meio do barulho, uma roda de caras dividindo uma garrafa de Coca-Cola parados na esquina, alguns na calçada, outros já no meio da rua, impedindo o tráfego sem se importar muito com isso e conversando num tom que parecia de briga. Ter, meio triste, a sensação de que a cidade já não me pertence mais. Ou eu não pertenço mais a ela.

A cidade era minha da janela do Vila Gomes.



        Cala a boca.
      Em BUCK JACK BARRON, Norman Spinrad diz: "Cruzar a Rua Quatorze é como cruzar a divisão entre os quadrinhos de uma HQ", e eu adoro essa merda. E se todas as ruas fossem assim? E se você emergisse em oito, oitenta, oitocentas culturas diferentes, luzes diferentes, velocidades diferentes, tudo isso em apenas uma corrida de táxi?
      BLADE RUNNER nos diz que a cidade está morta, então foda-se. Não abra seus olhos. Não interessa se você está apaixonado pelo mercado de Covent Garden, comprando esculturas quenianas e artefatos religiosos do Tibet, e ouvindo um show ao vivo de Beijing, ou se prova quinze cervejas diferentes em quinze quarteirões diferentes no Greenwich Village, sentindo o cheiro de curry tailandês e drogas preencher as ruas. Ela não está morta. Existe um enorme canteiro de flores em George Square, bem no meio de Glasgow.
      Então caia fora da cidade se é o que você quer (e se faz você se sentir melhor, eu sempre gostei de Big Bill Broonzy cantando "I'm Moving to the Outskirts of Town"), mas eu não estou com você. Não é esse o som da minha cidade. E só pra deixar bem claro, a minha cidade não sofre com os Sons da Cidade, porque o
soul é o som das pessoas mortas pela cidade. É música fraca. Na minha cidade, eu posso ouvir os tambores de Kodo ecoando com Ryogen-No-Hi, e as guitarras do My Bloody Valentine, grupos de cânticos budistas em um quarteirão, o esquisito hino da corte javanesa, a batida alienígena do Prodigy... Nick Cave e PJ Harvey dizendo coisas terríveis um para o outro, Lou Reed e Dick Dale, Portishead, e John Lee Hooker provavelmente ainda está vivo...
      Eu adoro cidades. Sempre gostei. Eu nasci no campo, ao sul de Essex, onde uma infância preguiçosa se mistura ao cheiro de restos de colheita queimada e do esterco fresco que toma conta das ruas. Dias ensolarados tentando cortar a cauda de lagartos com facões, mijando em tocas de raposas, brincando com seus amigos em antigos abrigos anti-aéreos e batendo nos garotos que moravam no outro lado da cidade, com grandes galhos pesados. Existem maneiras piores de se crescer. Mas isso tudo se dissolveu em nada durante uma viagem à Londres. Assistindo os campos se infestarem lentamente de tijolos, as ruas ficando mais largas e escuras, a rodovia se tornando um
canyon equanto paredes de vidro sujo e concreto começam a se erguer sobre nossas cabeças. Assistindo a cidade me alcançar, me cercar e tomar conta de mim...
      É uma doença da qual não posso me livrar. Ter Manhattan sob meus pés às três da manhã, assistindo o amanhecer da parte mais escura de Londres. Em uma cidade menor, eu ainda procuro pelo concreto e pela eletricidade. Solte-me no interior e eu encontrarei uma estrada onde poderei cheirar fumaça.
      As cidades de ficção científica passam por maus bocados. Hoje em dia, a própria expressão "cidades de ficção científica" remete ao inferno chuvoso que era a L.A. de Ridley Scott, e seus sete milhões de desabrigados. Ela imediatamente sugere uma distopia ficcional e um colapso urbano. Ninguém consegue enxergar além disso. E eu não entendo. Porque as cidades não desistem. Cidades estão vivas. E quanto maior a cidade, mais culturas ela abriga, mais viva ela se torna.



Warren Ellis. Publicado na Transmetropolitan #1 em setembro de 1997 (no Brasil, na Transmet #5).