29.4.03

Sabe quando a tarde vai caindo e você está vendo televisão e daí você acaba ficando num quarto iluminado apenas por ela?

Sabe quando você desliga a televisão?

26.4.03

Teste do The Guardian pra saber se seu cérebro é feminino ou masculino.
São dois questionários, com 60 perguntas cada, que cruzados te dizem se seu cérebro é mais masculino (S), feminino (E) ou neutro (B).

O meu deu masculino.

24.4.03

PRIMEIRA SONATA ELÉTRICA
Mário Bortolotto


O que há com ela? Porque esse ar febril? As pernas dentro da bacia. Ardis de mulher que ainda não decidiu se quer. Ela espera que eu me renda. Que morra de vontade de morder suas coxas. Esse inverno não vai passar. Essa vontade de fugir, de não existir. A palhaçada de se deixar envolver, de acreditar que é possível ser feliz. Está na hora de aceitarmos os fatos, por piores que sejam. Fatos são fatos. O cachorro dorme tranqüilo, porque sabe que está sozinho. Não espera que ninguém o trate com consideração. Qualquer gesto de carinho é bem vindo. Qualquer explosão atômica será rechaçada por poemas quebrados, granadas sucateadas e bicicletas sem selim. Ando pela sala armado apenas com uma lata de Fanta Uva. Eu a conheço nua. Quão indiscreta ela se exibia subindo em arvores. Como eu poderia evitar todo o tráfico obsceno do jardim de samambaias? Ela cristalizou o meu desejo quando audaciosamente se aproximou naquela tarde de cerveja e amigos chapados. Eu repeti. Te conheço nua. Você não subia em arvores? Não saiu no Carnaval na ala das sodomitas recatadas? É claro que naquele dia ela não queria nada comigo. Se escondeu na lavanderia e passou a tarde toda dobrando anáguas. Não consigo imaginar onde ela conseguiu tantas anáguas. Ela me disse cruelmente: Você cheira mortadela. Assim mesmo. Desse jeito. Não consigo ficar perto de alguém que cheira mortadela. Me recolhi profundamente magoado. Me exilei entre bebedores de cerveja e comedores de sardinha. Fui ficando cada vez mais dissimulado. Ah, então era assim que se fabricavam vencedores? Eu também ia conseguir. Eu tinha os meios. Tinha garra. Tinha talento. Era só ler os livros indicados, sorrir na hora mais exata, cumprimentar os canalhas certos. Eu estava aprendendo. Foi assim que cheguei aqui, como um alpinista de plantão. Spider man de ocasião. Você ainda lembra de mim? Algum odor de açougue a incomoda. Não? Que bom. O isolamento acústico permite o escândalo quase envergonhado, mas necessário. O isolamento acústico é a melhor invenção depois do filtro de papel. Meu olhar se arrasta pelas paredes, pelas gravuras falsas de Basquiat, pelos penduricalhos hipongas, pela decoração neo qualquer coisa, por esse jeito "moderno" de decorar lofts. A afetação é a musa do século 21. Ela diz que cheiro erva doce. Vencedores tomam Fanta Uva. Ela quer ler meu mapa astral, encostar sua boca em meu ouvido e sussurrar poemas de Cecília Meireles. Ela quer o impossível. Me levar ao Mc Donald's, ao 54 e ao Blue Night. Ela já vem lubrificada e quer minha aprovação. Sua maquiagem impecável é a sofisticação da sedução. Dou a ela minhas doenças e minha inabalável fé na Bolsa de Valores. Entrego de bandeja meu cinismo e meus relógios cromados. Me precipito pelas escadas estourando pneus, vazando gasolina, em queda livre para o paraíso dos párias incondicionais. Minha queda é mostrada em panavision nas penitenciárias do país. Minha taquicardia de animal obeso. Meu jeito cool forjado em sessões de super fight. Desapareço entre automóveis, gravatas puídas e mini saias. Sinto uma estranha saudade do tempo que ela subia em árvores.



Blog novo de Dom "Vidas Cegas" Camilo na área: Vive Le Flesh Nouveau!

20.4.03

Ontem tive uma sensação estranha. Nada a ver com as drogas, mais com a depressãozinha. Queria falar pra alguém ontem mas a preguiça de falar e uma impressão de que eu só conseguiria descrever aquilo de um jeito ridículo me impediram. Mas a coisa é que eu estava me sentindo VAZIA. Exatamente isso. Nada na cabeça, nada a falar, sentido nada fisicamente além de cansaço. VAZIA.

Mas passou. Hoje estou mais, como diria o Calil, em estado denso pasmitão.
resfriado + pipoca, salgadinho, batata frita e macarrão + efedrina = má idéia

DOSSIÊ SÁBADO DE ALELUIA

Ontem eu estava extremamente mal humorada e meio deprimida. Mas me chamaram pra uma alegre reunião e lá fui eu, contra a vontade dos meus pais que queriam que eu ficasse em casa de molho, devido ao meu mais recente resfriado [estão mantendo a conta, meus caros leitores? 3 resfriados e 1 amigdalite em 2 meses. e contando. acho que vou bater uma espécie de recorde.]

A casa, sem pais havia uns 2 dias, estava um cenário de filme junky: latas de cerveja vazias por todos os lados, potes com resto de comida, embalagens vazias, cinzeiros com pilhas de bitucas, caos de louças sujas na cozinha..
Filmes, junk food (incluindo aí um macarrão que me deixou um tanto revirada), umas 3 latas de cerveja e pouquíssimos cigarros. Resolvemos então nos aventurar no alegre mundo das drogas de farmácia. Comprou-se então algum tipo de anfetamina ou efedrina (não me dei ao trabalho sequer de ver o nome do remédio - muito prudente da minha parte..).

Tomei cinco comprimidos, com café, e cheirei mais meio, só pela farra de cheirar.

Ficamos todos jogados pela sala aguardando o efeito. Alguém disse que bateria em meia hora. De fato, mais ou menos nesse tempo, comecei a sentir coisas.

Tive a impressão de que meu coração estava acelerado. Depois de um tempo tive certeza. Estranhamente me bateu uma moleza e um pouco de sono. Alguns minutos depois arranjei uma posição e passei a ter certeza de que não conseguiria me mover dela. Fiquei achando isso esquisitismo, já que o que sabia sobre anfetaminas é que elas deveriam te deixar sem sono e excitado ou coisas assim. De olhos fechados, eu ouvia, misturado com o filme que tentávamos ver ("Os Excêntricos Tenembaums"), alguns relatos do que estava se passando com os outros. Alguns estavam excitados, outros também não conseguiam se mexer. Qualquer esforço para abrir os olhos ou me mexer me dava náuseas. Alguém colocou uma lata de cerveja perto de mim e o cheiro me deu vontade vomitar. Levantei, o que foi bastante desagradável, e, indo pro banheiro, tive certeza de que não seguraria aquilo no meu estômago por muito mais tempo. Dito e feito. Saí me sentindo extremamente melhor mas um tanto beat (abdômen dolorido pelo esforço, cansaço extremo).

Todos, tirando os donos da casa que já haviam se recolhido a seus aposentos, estavam bem. Fiquei me sentindo uma fracota. Mas foda-se, meu estômago sempre foi um lixo e ainda por cima eu estava gripada. Resolveram ir pro Superblast! - ainda era cedo e ia dar pra entrar de graça. Relutei e pensei em ir pra casa. Liguei pro menino que anda sendo meu e que mora lá perto mas ele não estava. E eu dando meu reino por colo.. Fomos então pra tal balada.

Uma meia hora na porta esperando abrir. Meu resfriado parecia ter sarado: vias respiratórias completamente limpas, a excessão de um incomodo na garganta. No entanto, eu ainda estava cansada a ponto de não ter saco nem de conversar com as pessoas.
Entramos pro show de provavelmente AS DUAS PIORES BANDAS DA FACE DA TERRA. Era pra ser Space Invaders mas eles cancelaram uns dias antes por causa do feriado, acho. E fomos deixados ao som de algo que parecia CPM 22 e outro algo com a vocalista e a guitarra mais desafinadas do mundo. E a porra da strobo zoando a minha vista. Um inferno.

A dona da casa ligou no celular de um dos guris pra dizer que ela e o namorado estavam passando mal e vomitando e que não ia rolar de voltar pra lá. Lá por 1h30 eu resolvi ir embora, todos ficaram na balada. Sentada na frente do Tramp Club (que agora mudou o nome pra Club Fuzz - ridículo), senti o enjôo voltando. Meu pai foi me buscar e durante o caminho de volta pra casa insistia e puxar assunto - mesmo comigo olhando pro outro lado, respirando pesadamente e com cara de extremo mau humor. Pedi pra ele estacionar. Estávamos na Brasil, sem calçadas. Abri a janela e vomitei. E em casa vomitei mais outros tantos. Mas fui dormir e acordei melhor.

Depois soube que todos, sem excessão, passaram extremamente mal e vomitaram.

Verdicto: 1) eu não sou tão fraquinha assim; 2) efedrina não tem graça; 3) não voltar pra casa de carro com seu pai depois de experimetar drogas novas.

PS: o nome das pessoas que estavam comigo foram omitidos por pura frescurinha.

17.4.03

Na verdade, eu não tenho nada contra meninas de 15, 16 anos que ficam fumando, bebendo e enchendo o cu de lança. Só acho que é um caminho perigoso. Conheço muita gente que começou com esse ritmo aos 15 e aos 30 ainda não parou - e nem diminuiu o ritmo. E conheço muita gente que começou depois e também não parou. E, sobretudo, não conheço NINGUÉM que tenha começado tão cedo e tenha parado antes do primeiro problema GRAVE de saúde. Pouco menos de uma década de detonação já é suficiente para comprometer severamente órgãos que poderiam ser extremamente úteis nos anos vindouros, como o fígado, o estômago e o cérebro, por exemplo.

Não acho que meninas de 15, 16 anos devam brincar de boneca ou coisa parecida mas sei lá. Acredito FORTEMENTE que elas poderiam esperar mais uns 2 ou 3 anos pra começar a se GASTAR NAS DROGAS.

E isso vale para os RAPAZES também.


[Cardoso, in One Hundred Percent Chongas]

cof.

16.4.03

Eu quero ser dona de casa atuante ou mulher de milionário

6.4.03

O governo de São Paulo quer fechar o Museu de Artes Gráficas, cujo acervo lida com quadrinhos, talvez por achar que isso não é arte.

Pois acontece que está rolando um abaixo-assinado contra o fechamento do Mag. Participe, mesmo que vocão não se interesse por quadrinhos. Se abrirem o precedente, daqui a pouco um museu que lhe interessa que vai para o brejo.

[o recado é do Träsel. assinem. passem pra frente.]

4.4.03

"gosto não se discute, despreza-se."

-M. Bortolotto
Marião Bortolotto tem um blog!