20.4.03

resfriado + pipoca, salgadinho, batata frita e macarrão + efedrina = má idéia

DOSSIÊ SÁBADO DE ALELUIA

Ontem eu estava extremamente mal humorada e meio deprimida. Mas me chamaram pra uma alegre reunião e lá fui eu, contra a vontade dos meus pais que queriam que eu ficasse em casa de molho, devido ao meu mais recente resfriado [estão mantendo a conta, meus caros leitores? 3 resfriados e 1 amigdalite em 2 meses. e contando. acho que vou bater uma espécie de recorde.]

A casa, sem pais havia uns 2 dias, estava um cenário de filme junky: latas de cerveja vazias por todos os lados, potes com resto de comida, embalagens vazias, cinzeiros com pilhas de bitucas, caos de louças sujas na cozinha..
Filmes, junk food (incluindo aí um macarrão que me deixou um tanto revirada), umas 3 latas de cerveja e pouquíssimos cigarros. Resolvemos então nos aventurar no alegre mundo das drogas de farmácia. Comprou-se então algum tipo de anfetamina ou efedrina (não me dei ao trabalho sequer de ver o nome do remédio - muito prudente da minha parte..).

Tomei cinco comprimidos, com café, e cheirei mais meio, só pela farra de cheirar.

Ficamos todos jogados pela sala aguardando o efeito. Alguém disse que bateria em meia hora. De fato, mais ou menos nesse tempo, comecei a sentir coisas.

Tive a impressão de que meu coração estava acelerado. Depois de um tempo tive certeza. Estranhamente me bateu uma moleza e um pouco de sono. Alguns minutos depois arranjei uma posição e passei a ter certeza de que não conseguiria me mover dela. Fiquei achando isso esquisitismo, já que o que sabia sobre anfetaminas é que elas deveriam te deixar sem sono e excitado ou coisas assim. De olhos fechados, eu ouvia, misturado com o filme que tentávamos ver ("Os Excêntricos Tenembaums"), alguns relatos do que estava se passando com os outros. Alguns estavam excitados, outros também não conseguiam se mexer. Qualquer esforço para abrir os olhos ou me mexer me dava náuseas. Alguém colocou uma lata de cerveja perto de mim e o cheiro me deu vontade vomitar. Levantei, o que foi bastante desagradável, e, indo pro banheiro, tive certeza de que não seguraria aquilo no meu estômago por muito mais tempo. Dito e feito. Saí me sentindo extremamente melhor mas um tanto beat (abdômen dolorido pelo esforço, cansaço extremo).

Todos, tirando os donos da casa que já haviam se recolhido a seus aposentos, estavam bem. Fiquei me sentindo uma fracota. Mas foda-se, meu estômago sempre foi um lixo e ainda por cima eu estava gripada. Resolveram ir pro Superblast! - ainda era cedo e ia dar pra entrar de graça. Relutei e pensei em ir pra casa. Liguei pro menino que anda sendo meu e que mora lá perto mas ele não estava. E eu dando meu reino por colo.. Fomos então pra tal balada.

Uma meia hora na porta esperando abrir. Meu resfriado parecia ter sarado: vias respiratórias completamente limpas, a excessão de um incomodo na garganta. No entanto, eu ainda estava cansada a ponto de não ter saco nem de conversar com as pessoas.
Entramos pro show de provavelmente AS DUAS PIORES BANDAS DA FACE DA TERRA. Era pra ser Space Invaders mas eles cancelaram uns dias antes por causa do feriado, acho. E fomos deixados ao som de algo que parecia CPM 22 e outro algo com a vocalista e a guitarra mais desafinadas do mundo. E a porra da strobo zoando a minha vista. Um inferno.

A dona da casa ligou no celular de um dos guris pra dizer que ela e o namorado estavam passando mal e vomitando e que não ia rolar de voltar pra lá. Lá por 1h30 eu resolvi ir embora, todos ficaram na balada. Sentada na frente do Tramp Club (que agora mudou o nome pra Club Fuzz - ridículo), senti o enjôo voltando. Meu pai foi me buscar e durante o caminho de volta pra casa insistia e puxar assunto - mesmo comigo olhando pro outro lado, respirando pesadamente e com cara de extremo mau humor. Pedi pra ele estacionar. Estávamos na Brasil, sem calçadas. Abri a janela e vomitei. E em casa vomitei mais outros tantos. Mas fui dormir e acordei melhor.

Depois soube que todos, sem excessão, passaram extremamente mal e vomitaram.

Verdicto: 1) eu não sou tão fraquinha assim; 2) efedrina não tem graça; 3) não voltar pra casa de carro com seu pai depois de experimetar drogas novas.

PS: o nome das pessoas que estavam comigo foram omitidos por pura frescurinha.