21.10.08

Três bases da minha matéria, a princípio:

- entrevista com o Fernando e sua experiência na Medicina (a ser realizada essa sexta-feira)

- matérias de jornais com casos de trote da última década (o antitrote.org tem uma Cronologia do Trote que me vai ser muito últil)

- "O Calvário dos Carecas", do Glauco Mattoso, livro em que ele levanta documentos sobre o trote desde as universidades medievais

o Glauco Mattoso é um masoquista e podólatra notório.

daí, pesquisando pra matéria, achei esses poeminhas aqui (auto-biográficos):



SONETO 52 ESTUDANTIL [1999]

O trote é tradição na academia,
mas já foi mais cruel na Idade Média.
A vida de calouro era a tragédia
do "escravo", enquanto o "dono" o usava e ria.

Sofri na própria carne essa agonia,
porém contrariei a enciclopédia
no dia em que tramei uma comédia
fingindo entrar naquela engenharia.

Calouro disfarçado, fui tratado
que nem um bicho, a chute, "Xô!" e chicote,
lambendo o veterano pé suado.

É claro que não fiz nenhum fricote!
Assim é que eu queria ser usado!
Fui eu quem lhes passou o maior trote!



SONETO 357 SUPERIOR [2000]

Chegando à faculdade, me deparo,
ao vivo, com o trote. Não na minha,
porém na engenharia, ali vizinha.
Calouros nesse tempo pagam caro.

Um tipo de engraxate não tão raro
os fazem performar: um deles tinha
que usar a língua em vez da flanelinha!
A cena me desperta o velho faro.

Disfarço-me de bicho e, noutro dia,
misturo-me aos demais, até ser pego.
Agora virei alvo da folia!

Engraxo o veterano mais labrego,
lambendo-lhe a poeira que cobria
os tênis. Mas, fingindo, peço arrego...