26.11.06



Uma impressão extremamente pessoal do ato contra o aumento dessa sexta-feira: como é horrível não ter controle sobre o próprio corpo. Saber que você não pode depender dele num momento de risco. Correr foi difícil pra caralho, e eu tinha certeza de que não podia voltar a me apoximar do lugar onde ainda estava a maioria dos manifestantes sofrendo ataques da polícia, porque sabia que quando a Choque viesse pra cima eu não teria condições de fugir rápido o suficiente se estivesse muito perto.

Eu nunca tive dúvida de que não tenho o menor controle sobre meu próprio corpo, além de ter uma capacidade física ridícula. Mas precisar dele e não ter resposta foi frustrante pra caralho.

Relato do que aconteceu do lado de fora da minha pele, escrevo quando tiver um tempo dos trabalhos da faculdade.

24.11.06



Nosso programa é uma revolução cultural através de um assalto total à cultura, que faz uso de todas as ferramentas, toda a energia e todas as mídias em que pudermos colocar nossas mãos coletivamente... nossa cultura, arte, música, jornais, livros, pôsteres, roupas, casas, o jeito que andamos e falamos, o jeito que cresce o nosso cabelo, o jeito que fumamos maconha e transamaos e comemos e dormimos - é tudo uma única mensagem - e a mensagem é LIBERDADE.

(John Sinclair, Ministro da Informação, Panteras Brancas - epígrafe do Assalto à Cultura)



Festa do Livro da USP, só alegria. Lá se foram 100 paus do meu pobre salariozinho de 400.


Aquisições:

- Assalto à Cultura, do Stewart Home [Utopia, subversão e guerrilha na (anti) arte do século XX]
- O Grito do Povo v. 1 e 2, do Vautrin e do Tardi [gibi fodão sobre a Comuna de Paris]
- A Guerrilha Surreal, do José Chrispiniano [livrinho de um ex-ECAno sobre o Dia de Ação Global em Praga; da Com-Arte, editora-laboratório do curso de Editoração]
- Reações Psicóticas, do Lester Bangs [coletânea de textos de um dos maiores críticos de rock de todos os tempos, o "intelectual do movimento punk", também conhecido como a fotinha do meu MSN (o tiozão de camiseta do ABBA é o Lester Bangs)]
+ um livrinho pra minha amiga secreta da ECA


Boas compras, boas compras.

21.11.06



E se você fecha o olho
a menina ainda dança

17.11.06





Algumas rodas não querem ser soltas. Elas tão sussas lá presas. E se a gente tentou de verdade soltar, dedicando tempo e esforço pra isso, de modo que depois não vai ter como a gente olhar pra trás e pensar "ah, mas e se eu tivesse tentado tal coisa..", porque se esgotaram as possibilidades, então chega a hora de deixar a roda na dela, encalacrada numa boa, e sair de moonwalk.



It's ok to want things as long as you don't get pissed off if you don't get them.

15.11.06



Acordei toda dolorida pra caralho da entrega de jornal na São Remo (porque na USP, além de jornalista, a gente também é jornaleiro - sobe morro, desce morro com umas pilhonas de jornal nos braços "Oi, boa tarde, quer jornal?" "Boa tarde, já recebeu?" "Opa, pode pegar"). Dos ombros ao antebraço, dói tudo e dói pra burro.

Porres de cerveja são de fato os melhores. De Original, ainda por cima. Tendo dinheiro pra gastar, ainda por cima. Sem ressaca no dia seguinte, ainda por cima. Genial.

Ouvindo Sonics, pós almoço de família. De tão bom humor que eu vou me permitir não fazer trabalho essa tarde como eu tinha programado.

Show do Joe Lally mais tarde, viagem pra praia no fim de semana, e um fim de semestre tranqüilíssimo (faltam um artigo, um ensaio, uma monografia, duas provas e já era).

Walkin' the dog, Just a-walkin' the dog. A-ha-ha - cantam os Sonics.

14.11.06



- Baby, you are gonna miss that plane.

- I know.

10.11.06



Tell Your Ma, Tell Your Pa,
Our Loves Are Gonna Grow Ooh-wah, Ooh-wah.

9.11.06



Quando você pensa que atingiu o fundo do poço da chatice com uma matéria sobre creches, vem uma matéria sobre toxoplasmose pra te chutar no traseiro.

8.11.06



Tenho feito uns posts mentais enormes antes de dormir. Dedico os minutos de consciência que precedem o sono a redigir posts elaborados na minha cabeça. Daí eu acordo no dia seguinte e eles me soam sinceros demais e pessoais demais. E se a gente quisesse ser sincero e pessoal de verdade a gente não escreveria em blogs, não é mesmo?

O post mental de ontem era sobre aquela coisa do Dean Moriarty com o Sal Paradise, a coisa das conversas que eles tinham por horas e horas, em fluxo de consciência. Sobre como eu queria fazer isso de verdade e tem todo esse monte de coisas que eu quero saber das pessoas e que eu quero contar pra elas. Mas sempre tem esse monte de coisas entre nós e as conversas sinceras.

Ia ser também sobre como, outro dia, fumando maconha com o Gino no Canil, sentada com as pernas entre as pernas dele, porque eu tava de mini-saia e tava um frio do caralho, eu tive essa sensação, que é uma das que mais me agradam no mundo (A que mais me agrada talvez), que é a de intimidade. A gente tava só batendo papo sobre caras que a gente pegou na vida e falando do Devendra Banhart e se cutucando, mas puta, que sensação de realmente estar PRÓXIMO de alguém. Era sobre isso que eu falava naquele post sobre como ver TV com as pernas em volta daquele cara lá era minha idéia de felicidade. Não era sobre o cara, nem sobre a TV, era a sensação fodida de intimidade.

Mas hoje quando eu acordei eu desisti de fazer esse post, então deixa pra lá.



[PS: O Gino me ensinou uns truques novos em teoria. Aceita-se piloto de teste.]

5.11.06



Que pé no saco que o mundo imita o clichê.

Garota gosta de garoto 1, garoto 1 não gosta de garota. Garoto 2 gosta de garota, garota não gosta de garoto 2. Garoto 2 começa a pegar outras minas, garota fica levemente enciumada.

A gente precisa escrever uns roteiros novos, pra vida não ficar parecendo uma novela adolescente cretina.

3.11.06



Êêêê
Primeira Zombie Walk!
Primeiro ácido! (tequinho de ácido, na real, mas foi bacana)
E hoje: primeiro salário! Meaning: porre antológico.

Meu ouvido ainda tá esquisitão de ver o show do Bacantes sentada do lado do amplificador.