30.3.06



Reparei ontem que três dos meus programas favoritos na televisão têm estruturas muito parecidas.

Louis Theroux's Weird Weekends, apresentado pelo jornalista inglês Louis Theroux, é uma série de documentários, exibida no Brasil há alguns anos pelo GNT, em que ele entrevista personagens estranhos da sociedade americana: membros da Ku Klux Klan, mulheres alterofilistas, casais adeptos do swing, lutadores de luta livre, ufólogos e por aí vai. Além de conversar com as pessoas, o Louis Theroux costuma entrar no universo do entrevistado, treina luta livre, vai numa festa de swing, tem encontros com uma esposa tailandesa (dessas de agências de esposas tailandesas), canta gangsta rap de improviso.. É um puta programa, believe me. Dos meus programas de televisão preferidos de todos os tempos. E olha que eu vejo uma quantidade considerável de horas de televisão.

Insomniac, apresentado pelo comediante americano Dave Attel, é uma série de programas, também exibida pelo GNT, em que ele investiga a vida noturna de várias cidades do mundo (geralmente são cidades americanas, mas eu já vi uns programas na Alemanha também), visitando bares, clubes e festas, conhecendo todo tipo de gente bizarra e completamente bêbada que povoa as night lifes. O Dave Attel costuma beber a valer durante os episódios, que geralmente terminam com o sol nascendo e ele mandando você "Get some sleep!". É o mais fraco dos três programas mas ainda assim é bastante bom. Vale pela bizarrice que são os modos que as pessoas encontram pra se divertir por aí.

Sin Cities. Sin Cities é muito foda. Passa no FX, o canal pra homens da FOX, na sessão FXXX, que passa diariamente de madrugada e exibe todo tipo de porcaria genial que JAMAIS seria produzido pela televisão brasileira (como LUTA DE MULHERES NUAS e outras pérolas do gênero). É apresentado pelo inglês Ashley Hames, que sai atrás das atrações que têm a oferecer as melhores sin cities do mundo. É a vida noturna no seu lado sexual e obscuro. Pra ter uma idéia: ontem eu peguei só o finalzinho, os dez ou quinze minutos finais. O Ashley Hames estava em Montreal, numa orgia de mulheres obesas num barco. Diversas mulheres obesas sendo chupadas por caras e por outras mulheres obesas, o Ashley Hames dá uma rápida entradinha pra não fazer desfeita, depois sai pra encher a cara. Em seguida ele vai na sede de um site pornô especializado em sexo oral e cumshots, primeiro ele assite uma sessão de filmagem em que três minas chupam um cara e passa algum tempo descrevendo pro telespectador o cheiro da cena ("o fulano aqui está suando um pouco e ele é meio brega porque ainda não tirou as meias, uma das garotas acabou de enfiar o dedo no cu dele, então você pode imaginar o efeito que isso produziu, e cada uma das três tem um cheiro diferente de perfume vagabundo"). Na seqüência, o administrador do site oferece pra ele a oportunidade de protagonizar um vídeo, três minas chupam o Ashley Hames enquanto ele filme tudo de cima, pro site. Em seguida ele vai num lugar que tem uma máquina de sexo. É um lance assim: uma parede transparente com formato de mulher, atrás dessa parede fica uma mulher pelada de verdade, embaixo tem um buraco que quando ligado imita uma buceta. O Ashley Hames tenta comer a máquina por um tempo, depois desiste e mostra o pau completamente mole atestando o fracasso. Daí ele vai pra uma dominatrix transexual que faz nele um enema. Primeiro com água, depois com VINHO. Sim, sim, uma lavagem intestinal com VINHO. Parecia bastante desagradável. Mas ahn, isso tudo em DEZ minutos, percebe? É sensacional.

Lembra a genial coluna I Did It For Science do Grant Stoddard no Nerve.com, só que umas dez vezes mais hardcore.


O lance é: os três programas têm apresentadores que se envolvem com a narrativa da reportagem, no melhor estilo gonzo - no melhor estilo imparcialidade jornalística de cu é rôla. Os três mostram personagens e costumes obscuros. Os três são fodões. E provavelmente os três seriam inviáveis na televisão brasileira (o Sin Cities certamente, os outros dois poderiam existir em versões bunda moles).


Vá ver TV!


[E se o Sin Cities te parece interessante, você provavelmente também vai se divertir com o PervScan, site não pornográfico sobre comportamento sexual bizarro.]
E a Rita foi.

27.3.06



Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende



Vai, Rita!

23.3.06



23/03/2006 - 08h31
Erramos: Tartarugas são retiradas da República

da Folha de S.Paulo

A espécie de tartaruga tigre-d'água-americano possui manchas vermelhas na cabeça, e não uma orelha vermelha, como informou erroneamente o texto "Tartarugas são retiradas da República" (Cotidiano, 09/03/2006 - 09h26). Tartarugas não têm orelhas. O texto já foi corrigido.



Tartarugas não têm orelhas.
TARTARUGAS NÃO TÊM ORELHAS.

22.3.06



Esses caras que têm tanta música foda que umas acabam passando despercebidas. Esse cara especificamente: o Chico Buarque. Tem essa música que eu nunca tinha ouvido, ouvi hoje pela primeira vez, tomando café da manhã e lendo jornal cedinho. Tinha colocado "Jorge Maravilha" (Você não gosta de mim/ Mas sua filha gosta) pra tocar, daí na coletânea que é Chico Buarque de A a Z, em ordem alfabética, a música seguinte é "Juca".

Sambinha delícia que não faria nada feio no repertório de qualquer sambista de velha guarda fodão, do naipe de Geraldo Pereira, João da Baiana ou Noel Rosa.

A letra, simples pra burro, é uma beleza, e é assim:


Juca foi autuado em flagrante
Como meliante
Pois sambava bem diante
Da janela de Maria
Bem no meio da alegria
A noite virou dia
O seu luar de prata
Virou chuva fria
A sua serenata
Não acordou Maria

Juca ficou desapontado
Declarou ao delegado
Não saber se amor é crime
Ou se samba é pecado
Em legítima defesa
Batucou assim na mesa
O delegado é bamba
Na delegacia
Mas nunca fez samba
Nunca viu Maria



Linda. Daí, depois de "Juca", vem na ordem alfabética outro sambinha bacana: "Lágrima". Desses que tem corinho de mulheres negras cantando o refrão, que é uma das coisas mais legais da música popular brasileira. Pô, como são um barato esses corinhos de mulheres negras cantadoras de refrão.

E a letra é só isso, que repete várias vezes (mas é preciso imaginar o corinho pra pegar o espírito):


Nenhuma lágrima
Derramei com você
Nenhuma lágrima
Derramei com você

Quando você foi embora
Meu coração não parou
Sei que você hoje chora
Porque não tem mais o meu amor

Nenhuma lágrima
Derramei com você
Nenhuma lágrima
Derramei com você



Semana horrível: segunda-feira DO MAL (crime de estelionato, seguido de 5 horas na delegacia pra fazer BO), ato deprimente da UNE e da UBES hoje, hoje ainda, duas horas de ônibus até a USP e nada de professora pra dar aula, mais uma hora de ônibus.

Mas os sambinhas tocando na cabeça e o livro bacana da aula de Fundamentos Teóricos da História tão aí. Tão salvando o bom humor bravamente.


Vou ali voltar a ler o livro. Vou assobiando o Samba do Grande Amor.

18.3.06



Tenho apenas coisas pra ler
e toda a preguiça do mundo

17.3.06



Sabe o que é muito estranho? Como eu disse, semana passada, na divisão de grupos de seminário de Fundamentos Teóricos da História, eu botei meu nome em "150 anos do Manifesto Comunista" e ele ficou lá solitário até o remanejamento dos grupos.

Essa semana, na divisão de grupos de seminário de Legislação e Deontologia do Jornalismo, eu botei prontamente o meu nome em "Ética Jornalística e Militância Política" e um monte de gente fez o mesmo, o grupo ficou abarrotado, com gente saindo pelo ladrão, vai ter que ser remanejado na próxima aula.

Mas aí é que tá. Não é esquisito pacas? As pessoas não se interessam pelo Manifesto Comunista, mas se interessam por militância política. Alguém entende? Porque eu não, sinceramente.

10.3.06



Notícias do mundo da USP: a matéria desse semestre que parecia a mais chata de todas, "Legislação e Deontologia do Jornalismo" (só esse nome já dá vontade de cortar os pulsos, não? a palavra misteriosa no meio contribui. deontologia. what the fuck?), no fim das contas é a que eu achei mais interessante até agora, olhando a programação do professor. Professor, este, que é deveras gato, diga-se. Guri formado em direito, fazendo mestrado em Direito e Comunicação.

Me senti nerd a valer, a Quinta i Breja rolando, todo mundo querendo matar a aula de Legislação e Deontologia pra ir encher a cara e socializar com os pares, eu sem absolutamente a menor vontade, querendo ver a aula direitinho e pensando Raios, tomara que não role um boicote coletivo que me obrigue a ir embora.

Voltar a fazer trabalhos em grupo, deus do céu. Todas as matérias vão ter um. Montado até agora, só o de seminário de "Fundamentos Teóricos da História". A professora botou os temas na lousa, era pra gente escolher o tema que queria, assim se formariam os grupos. Botei meu nome prontamente em "150 anos do Manifesto Comunista", achando que ia ser disputado pra burro, e meu nome ficou lá solitário, até o remanejamento dos temas que tinham gente demais inscrita. O comunismo tá completamente out, aparentemente.

3.3.06



Puxa, tinha ficado infeliz de não ter conseguido roubar no Carnaval Revoulção uns cartõezinhos geniais, daí, entrando no blog do Allan Sieber, vi que ele publicou fotos, tiradas nas ruas de BH, da melhor intervenção urbana dos últimos tempos (os cartõezinhos eram versões menores desses lambes sensacionais, coladas na parede da escola onde foi o CR esse ano).






Fera.