22.3.06



Esses caras que têm tanta música foda que umas acabam passando despercebidas. Esse cara especificamente: o Chico Buarque. Tem essa música que eu nunca tinha ouvido, ouvi hoje pela primeira vez, tomando café da manhã e lendo jornal cedinho. Tinha colocado "Jorge Maravilha" (Você não gosta de mim/ Mas sua filha gosta) pra tocar, daí na coletânea que é Chico Buarque de A a Z, em ordem alfabética, a música seguinte é "Juca".

Sambinha delícia que não faria nada feio no repertório de qualquer sambista de velha guarda fodão, do naipe de Geraldo Pereira, João da Baiana ou Noel Rosa.

A letra, simples pra burro, é uma beleza, e é assim:


Juca foi autuado em flagrante
Como meliante
Pois sambava bem diante
Da janela de Maria
Bem no meio da alegria
A noite virou dia
O seu luar de prata
Virou chuva fria
A sua serenata
Não acordou Maria

Juca ficou desapontado
Declarou ao delegado
Não saber se amor é crime
Ou se samba é pecado
Em legítima defesa
Batucou assim na mesa
O delegado é bamba
Na delegacia
Mas nunca fez samba
Nunca viu Maria



Linda. Daí, depois de "Juca", vem na ordem alfabética outro sambinha bacana: "Lágrima". Desses que tem corinho de mulheres negras cantando o refrão, que é uma das coisas mais legais da música popular brasileira. Pô, como são um barato esses corinhos de mulheres negras cantadoras de refrão.

E a letra é só isso, que repete várias vezes (mas é preciso imaginar o corinho pra pegar o espírito):


Nenhuma lágrima
Derramei com você
Nenhuma lágrima
Derramei com você

Quando você foi embora
Meu coração não parou
Sei que você hoje chora
Porque não tem mais o meu amor

Nenhuma lágrima
Derramei com você
Nenhuma lágrima
Derramei com você



Semana horrível: segunda-feira DO MAL (crime de estelionato, seguido de 5 horas na delegacia pra fazer BO), ato deprimente da UNE e da UBES hoje, hoje ainda, duas horas de ônibus até a USP e nada de professora pra dar aula, mais uma hora de ônibus.

Mas os sambinhas tocando na cabeça e o livro bacana da aula de Fundamentos Teóricos da História tão aí. Tão salvando o bom humor bravamente.


Vou ali voltar a ler o livro. Vou assobiando o Samba do Grande Amor.