12.7.06



Impressões do 1º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo


Me senti imensamente burra e culturalmente colonizada, vendo um documentário argentino (Tire Dié) e achando mais fácil acompanhar a legenda em inglês do que o áudio em espanhol.

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Como é pobre a América Latina!

(ou Como cineasta latino-americano gosta de pobreza!)

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Vi um outro documentário, Aparte, este uruguaio, que mostra a miséria em Montevidéu (resumindo grosseiramente). Contou o diretor, em conversa com a platéia após a sessão, que o filme foi um grande fenômeno no país. Ficou em segundo lugar nas bilheterias na semana de estréia, só atrás de Matrix, e na semana seguinte chegou ao primeiro lugar. Gerou discussões acaloradas nos mais diversos âmbitos da sociedade, sendo pauta de todos os jornais e telejornais uruguaios. Você já ouviu falar em Aparte? Não é bizarro isso? Que um filme que é um grande fenômeno num país vizinho não é sequer citado no Brasil por tanto tempo? (o filme é de 2002) Tá certo que o filme não é lá grande coisa e seu tema não é inédito por aqui, como parece ter sido no Uruguai. Mas mesmo assim.

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Se um uruguaio te convidar pra uma orgia na casa dele, pode ir sem medo.

Estava o diretor Mario Handler comentando a última cena do filme. Foi feita na casa dele, e são duas das moças personagens do filme (uma delas prostituta) conversando e ouvindo música. Ele conta que não pretendia ter filmado aquilo, que eles estavam reunidos ali apenas pra uma orgia, mas uma delas acabou ligando a câmera. Estranhamento geral da platéia. Uma orgia entre amigos, ele tentou consertar. Risadas e estranhamento. Uma orgia entre amigos, íamos conversar, comer pizza, ouvir uma música, entendem?

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Todo mundo fala do fenômeno de "mundialização" da pobreza, de como a miséria tem um aspecto parecido nos mais diversos lugares do mundo. Mas ninguém comenta a mundialização dos intelectuais. Pô, o Mario Handler, com aquela cara, podia ser um intelectual francês, brasileiro ou o que quer que seja. As roupas características, os óculos e os cabelos grisalhos intelectuais são absolutamente globais.