Ele tinha passado quatro horas do dia num simpósio sobre "A Crítica da Razão Pura" e achado legal pra caralho. Falou que tava gastando 20 reais por semana em café e por isso começou a levar a própria garrafa térmica com café de casa pra faculdade. Contou que ficou estupidamente feliz quando ganhou o "História Econômica do Brasil" do Caio Prado Jr. dos pais dele. Ele vai começar uma iniciação científica em literatura comparada entre literatura alemã e japonesa, sem bolsa, só porque ele acha legal. Ele faz seis obrigatórias, uma optativa e mais umas matérias de ouvinte. Ele ouve música erudita contemporânea, Shoenberg, John Cage e Rádio Cultura. Ele enche o saco do irmão mais novo falando que o Batman é um patrão capitalista explorador que representa a loucura da burguesia. E quando eu chamei ele pra aparecer na MECA (Mostra Ecana de Cultura e Arte), falando que provavelmente devia rolar um vernissage, ele disse que era contra essa parte do mundo artístico, que ele valorizava a obra e blá blá blá.
E eu fiquei pensando Dezenove anos, bro. Cê tem a vida inteira pra se tornar um acadêmico chato! Deixa pra ter cinqüenta anos quando você tiver cinqüenta anos, caralho! Tira essa pólo com suéter e vai comer mulher.
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