26.2.05



No repeat: Superguidis - Todo mundo tem algo a esconder exceto eu e meu macaco. Massa!

Versão de Everybody's Got Something to Hide Except Me and My Monkey dos Beatles (White Album).


[do Big Muff. Têiquirizêããããmmm]

25.2.05



Nem é março ainda mas sem dúvida caiu água pra burro nessa cidade hoje. Ilhada por quarenta minutos no Centro Cultural São Paulo, após ir ver Perfect Blue. Anime bacana, pesado pra caralho, tensão e violência. Na saída, ficar olhando os cegos (ali pela biblioteca em braile) atordoados com a tempestade. Quem já foi no CCSP sabe como é: porta, corredor fechado, porta, corredor, espaço aberto. A chuva caindo torrencialmente, entrando de lado pelas portas, assustando os ceguinhos, que tomavam inesperadas lufadas violentas de chuva enquanto tentavam andar reto pelo corredor. Divertido (não de um jeito Nelson HA HA, de um jeito mais "puxa, olha só como são as coisas"). Depois, ainda enrolando pra chuva passar, fuçando na livraria à direita da sala Lima Barreto, me dei conta de que quero ter dois terços do catálogo da Conrad. E não só emprestar e ler. Mas TER mesmo. Uma editora fodidona assim merece que se gaste uma boa quantidade de tostões com ela. Ahn. Foi só isso.

Post besta.
Estou quase satisfeito comigo, acho realmente que sou uma pessoa melhor a cada dia, ajo mais de acordo com que eu penso, sou menos escroto com pessoas, sou também uma pessoa mais feliz, mais bem resolvida.

Postou o Legume.

Fera que estamos todos nos esforçando conscientemente para sermos pessoas melhores, não?

21.2.05



Hunter S. Thompson, criador do jornalismo gonzo, morre aos 67 nos EUA

LOS ANGELES (Reuters) - Hunter S. Thompson, ícone da contracultura e criador do jornalismo gonzo, suicidou-se com um tiro no domingo à noite, em sua casa em Woody Creek (...)





JOHNNY: Você é um cara legal.

PAI: Tão tudo morrendo. No futuro só vai ter moleque punheta e velho cocainônamo pensando que é Deus, doidão babando em algum culto evangélico, ouvindo gospel, assistindo "Vigésima Quinta Hora", pedindo a benção pro papa, queimando disco de rock, lendo Paulo Coelho. Cara, eu tô cansado, tu demorou demais pra vir.

JOHNNY: O futuro é bunda.



(Medusa de Rayban, de Mário Bortolotto)




Gonzo - O filho bastardo no new journalism, por André Czarnobai

19.2.05



And in the end
The love you take
Is equal to the love you make.










Her Majesty's a pretty nice girl,
but she doesn't have a lot to say
Her Majesty's a pretty nice girl
but she changes from day to day.

I want to tell her that I love her a lot
But I gotta get a bellyful of wine
Her Majesty's a pretty nice girl
Someday I'm going to make her mine, oh yeh,
someday I'm going to make her mine.




O fim do Abbey Road. The End. Longa Pausa. Her Majesty. Lindo lindo. Minha coisa preferida dos Beatles. Graças, creio, ao fim de A Vida é Cheia de Som e Fúria, peça da Sutil Cia. de Teatro baseada no Alta Fidelidade do Nick Hornby, com The End tocando na última cena matadora, onde o amor parece possível, afinal de contas, no fim, o amor que você recebe é igual ao que você deu. Caralho, eu passei mal nessa cena nas duas vezes em que vi a peça. Mesmo já sabendo o que aconteceria na segunda vez, a sensação de coração batendo forte no fim da garganta e a vontade fodida de chorar combinada com uma alegria absurda foram idênticas à primeira vez. E a vontade de ficar em silêncio por um bom tempo depois. Poucas coisas no mundo já me deram essa sensação até hoje. É a sensação mais foda que existe. O teatro é, sem dúvida, a forma de arte que faz isso comigo com mais freqüencia. Curiosamente (ou nem tanto, tendo em vista o preço dos ingressos em São Paulo), é também a que eu menos tenho contato e a que é mais difícil pra mim gostar. Na verdade, não é bem o teatro, é a trilha sonora de teatro. Talvez por isso as peças do Marião tenham me dado essa sensação fodida várias vezes (Getsêmani, Nossa Vida Não Vale um Chevrolet, Diário das Crianças do Velho Quarteirão). O cara tem as manhas da trilha. Tem as manhas das trilhas fodidas nos fins de cena e da música matadora depois da cena final. Digredi. Só queria falar do fim do Abbey Road e de como ele é bonito pra burro e me faz chorar de cantinho toda vez que eu escuto. Era só isso.

16.2.05






Descobri no imdb quem é o ator que faz o Marcel no A Bela da Tarde (Belle de Jour): Pierre Clémenti. Lindo lindo no papel de amante possessivo e meio sádico da personagem da Catherine Deneuve. Dentes de ouro, cicatriz nas costas, bengala com uma adaga escondida dentro, sobretudo de couro, terno de três peças (uh, terno de três peças! COLETES), gravata fina. E magrelo de um jeito bonito de ser magrelo e branquelo. Algo Iggy Pop em começo de carreira, sexy as hell. Segundo essa página, o guri era um astro dos filmes de diretores cools das décadas de 60 e 70; além do Buñuel, trabalhou com o Visconti, o Pasolini, o Bertolucci, o Glauber Rocha. Morreu em 99 aos 57 anos, de câncer. ...Where have all the rude boys gone?


E, puta merda, como o tempo é um filho da puta cruel, não? Esse menino virou esse carra. Fiquei quase tão chocada como quando vi o Jean Pierre Leaud no começo d'Os Sonhadores e depois n'O Pornógrafo. O tempo é um filho da puta com um senso de humor escroto.

12.2.05



You know, I saw you two guys earlier at the Good Humor truck, and you were eating your ice cream like little boys, and I thought "Those guys aren't so tough! They're eating ice cream! What a bunch of swell guys!" I saw you eating ice cream, pal. Don't you deny it, you were eating an ice cream cone. You were eating an ice cream cone. Oh you're bad now. You're bad now. But you were eating an ice cream cone! And I saw you! That's the shit you can't hide, you know? You got your fuckin shit, but you eat ice cream and everybody knows it. The whole fuckin' place knows it. Ice cream eating motherfucker, that's what you are.



você acaba de ler a melhor citação da história.

Guy Picciotto, vocalista e guitarrista do Fugazi interrompendo o show e dando esporro num brigão da platéia no vídeo (FODIDO) Instrument de 1999. You fuckin' ice cream cone eating motherfucker.

1.2.05



Is that you, John Wayne? Is this me?
- Doctor...
- C'mon, what. What?
- Always do the right thing.
- That's it?
- That's it.
- I got it, I'm gone