20.8.05



DEUS DO CÉU.

Lendo diariamente as seções de cidades de jornais do Brasil inteiro pra fazer o clipping do MPL, tenho tido um panorama meio assustador do que é a grande imprensa brasileira hoje.

Mas acho que nenhuma matéria tinha sido mais escrota do que essa que coloco abaixo. Dá pra ver o repórter tremendo e babando de indignação enquanto escrevia. Balançando a bengalinha no ar e esbravejando sobre o descaramento desses delinqüentes.

Putaqueopariu. Por que não me ufanarei de minha futura profissão:




Jornal do Brasil - 20/08/2005


Não ao vandalismo

Duas obras admiráveis acabam de ser entregues ao povo de Brasília. O viaduto da Rodoferroviária facilitará imensamente o trânsito de uma ampla região, que se estende da zona central do DF até o eixo Taguatinga-Ceilândia, reduzindo o tempo em que uma grande parcela da população passa no trânsito. Já a ampliação da via L4 Norte não apenas permite uma ligação fácil entre as Asas Sul e Norte como preserva a Vila Planalto e desafoga o trânsito do centro do Plano Piloto. Mais, trata-se de obras de grande beleza plástica, que valorizam a capital dos brasileiros. Isso é qualidade de vida.

Por isso mesmo qualquer visitante fica chocado com os danos já causados pelos pichadores a essas obras. O viaduto acaba de ser aberto ao tráfego. A L4 sequer foi inaugurada. No entanto, lá estão as marcas dos delinqüentes.

Afirma-se que as pichações constituem mais do que uma doença mental. São os sintomas de uma doença social. Parte de sociólogos a suposição de que elas emitem um apelo desesperado, algo como ''pelo amor de Deus, prestem atenção em mim'', partido de elementos frustrados pela anomia das comunidades modernas e pela sua incapacidade para nelas inserir-se adequadamente. Pode ser.

Nem por isso as pichações deixam de constituir um delito, definido e punido pela legislação brasileira. Frustração, anomia ou falta de inserção não justificam que se deixe de reconhecê-las como uma agressão à sociedade. E muito menos de puni-las.

O Distrito Federal já registrou diversas iniciativas destinadas a encontrar uma saída para esse problema, como o programa Picasso não Pichava. Elas alcançaram algum êxito, mas as pichações permanecem.

Em tempos como os atuais, com os mais variados e eficientes sistemas de vigilância, não há razão para omissão a fiscalizar a coisa pública ou para demora ao identificar os responsáveis. Só punições drásticas e sumárias, respeitada a legislação, pode evitar que a população seja agredida.