A coisa mais interessante que eu li nos últimos tempos é essa entrevista com Stewart Home.
Dessas raras na imprensa (brasileira, ao menos) em que o entrevistado é o que interessa, e o repórter deixa o cara se alongar e se aprofundar nas respostas e não apenas o conduz a dizer o que ele quer ouvir ou quer que seus leitores ouçam.
O Home disserta sobre as vanguardas clássicas e seus erros históricos, os situacionistas, a arte contemporânea, movimentos de ação direta de visibilidade nos últimos anos (como o Reclaim the Streets! e o Space Hijackers), a questão da propriedade intelectual, e o tema central da sua obra - e de vários caras antes dele: a necessidade de se abolir a arte. Assaz interessante, enfim.
Ele fala um monte de coisas sobre as quais eu vinha pensando a um tempo, sem conseguir formalizar. E faz uma série de críticas a coisas que eu sempre achei fodas. Críticas que fazem bastante sentido.
Bela entrevista. Deixou com ainda mais vontade de ler o Assalto à Cultura dele, que há anos cobiço mas nunca calhou de eu comprar. Até pra ver se eu entendo o que diabos ele quis dizer ali no fim da entrevista, quando fala em "ideologias reacionárias, como o anarquismo e o fascismo". Por enquanto, vou lendo o Sobre a Miséria da Vida Estudantil, panfleto pré-situacionista citado na entrevista, que eu nunca tinha lido.
O Home:
« Falando de arte como ideologia, e não em termos de objetos, ela parece estar ligada ao sensual - enquanto a política e a chamada “ciência política” servem ao capitalismo como representação do racional. Essa divisão arte/política ou sensual/racional é claramente desumanizadora e alienada. Um dos objetivos da ação revolucionária é conciliar o sensual e o racional. Em muito do discurso sobre arte, os artistas aparecem como uma representação abstrata daquilo com que os seres humanos deveriam ser. Não apenas os artistas, mas todos nós deveríamos estar realizando os diferentes aspectos -emocionais, físicos, intelectuais- da nossa espécie. »
« O problema dos situacionistas é que eles são continuamente recuperados pelos anarquistas, que nunca encontraram o comunismo de esquerda em toda a sua originalidade, nem nunca entenderam a natureza de seu rompimento com a Terceira Internacional. Os situacionistas servem de entrada em debates que são de relevância permanente, mas o movimento comunista é bem mais amplo do que isso. Acho que há muita razão para se fazer uma leitura atenta dos trabalhos de Asger Jorn e Chris Gray, mas isso não pode ser feito às custas de negligenciar Marx ou o trabalho prático. »
Erm... cof cof cof cof
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