17.6.05



    (...) tara, em sentido próprio, é o recipiente, o envoltório que contém determinado gênero, produto ou mercadoria; é, enfim, a diferença entre o peso líquido e o peso bruto. Assim, se na feira compramos uma caixa de uvas, tara é a caixa; taradas são as uvas.
      Como foi possível daí terem surgido os termos tara e tarado, no sentido que mais hoje se empregam?
      Conta-se que um rapaz teria certa vez atacado e matado três lindas garotas para satisfazer seus instintos sexuais. Descoberto o crime, seu autor foi condenado à morte por enforcamento. Chegado o dia da execução, o algoz deparou com um problema: o rapaz estava tão magro, tão raquítico, que fatalmente não teria morte instantânea, como é desejo de todos os algozes generosos. Não teve dúvida, então, em amarrar uma barra de ferro ao peito do rapaz, para que não ficasse agonizante por muito tempo.
      Cumprida a sentença, quiseram - por mera curiosidade - saber o peso do rapaz. Descontou-se, assim, o peso da barra de ferro (que era a tara) e se obteve o peso do morto (que era o tarado).
     Daí por diante - dizem - os termos começaram a circular já com sentido figurado: tara (fúria sexual; desequilíbrio), tarado (furioso sexual; desequilibrado).
      Só não sabemos se isso é mera estória ou se é mesmo pura história...



(do livro Não Erre Mais! de Luiz Antonio Sacconi)