No meio desta alegria sem limites, desta embriaguez, todos estavam de tal modo ternos, humanos, compassivos, honestos, modestos, polidos, amáveis e espirituosos, coisa que só pode acontecer na França e, especificamente, em Paris. (...) Este mês passado em Paris foi um mês de embriaguez para a alma. Não apenas eu estava embriagado, mas todos: uns de medo, outros de êxtase louco, de esperanças insensatas. (...) Parecia que o universo inteiro havia mudado; o inacreditável tornava-se habitual; o impossível, possível; e o possível e o habitual, insanos. Em uma palavra, o estado de espírito era tal que, se alguém viesse dizer: "Deus acaba de ser expulso do céu onde a República foi proclamada!", todo mundo teria acreditado e ninguém teria se surpreendido.
A revolução de fevereiro de 1848 vista por Bakunin
Finalmente achei na internet esse textinho (publicado no Textos Anarquistas do Bakunin, pela L&PM). Já tava considerando comprar o livro só por ele. Belo fragmento que confirma minha opinião sobre revoluções: dão em merda quando vitoriosas, mas deve ser absolutamente incrível viver um processo revolucionário.
Aliás, li em algum lugar algo sobre isso, acho que num texto do Hakim Bey. Sobre como as revoltas são verdadeiramente belas porque não são vitoriosas mas nelas se vive a euforia de um processo revolucionário. Ou algo que o valha.
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