29.11.02

"Eu pensava de maneira muito nítida que a vida e o mundo não dependiam senão de mim. Podia-se mesmo dizer que nesse momento o mundo não tinha sido criado senão para mim sozinho: que eu faça saltar os miolos e o mundo não existirá mais, para mim pelo menos. Sem contar que é possível, com efeito, que nada exista mais pra ninguém depois de mim e que o mundo inteiro, uma vez minha consciência abolida, se esfume como um fantasma, pois que ele não é senão o objeto da minha consciência; é possível que ele se destrua, pois que o mundo inteiro e todos os homens são, talvez, eu só, que sou tudo isso."

-Dostoievski em O sonho de um homem ridículo