Protagonista de 1968, quando encenou a peça "Roda Viva", de Chico Buarque, cuja temporada paulistana encerrou-se depois do ataque de um grupo autodenominado "Comando de Caça aos Comunistas", que espancou atores e destruiu cenários, o diretor José Celso Martinez Correa, 71, do Teatro Oficina, lembra da época como "o momento em que as pessoas se deram conta de que estavam vivas, de que não precisavam mais se conformar com os papéis predeterminados que lhes queriam impor; foi quando as pessoas perceberam que poderiam sair desses túmulos para viver em liberdade."
José Celso entrega a origem da idéia: a obra de Guy Debord (1931-94) "A Sociedade do Espetáculo", lançada na França "não por acaso" em 1967, um ano antes de tudo.esse trecho tá no texto da Laura Capriglione que abre o especial Maio de 1968 do Mais! de hoje. o Peter Burke, no texto dele no mesmo caderno, também fala da importância do Debord pros acontecimentos daquele ano. acho que a perspectiva do Zé Celso como a Laura Capriglione a relata é uma tremenda simplificação (a coisa de atribuir a origem de toda a mobilização ao Debord). mas o que me impressiona é como as pessoas em 1968 tiveram uma leitura construtiva do Sociedade do Espetáculo.
eu li o SE nas férias de verão desse ano, pra discuti-lo com o pessoal do G-Popai, numa atividade extra-pesquisa. não sei se é um sinal dos tempos ou só o fato de nós g-popaianos sermos uns pessimistas do caralho, mas a nossa discussão terminou como terminam todas as nossas discussões: com a conclusão de que o mundo tá uma merda, o capitalismo só avança e se torna cada vez mais sutil em seus mecanismos de dominação, e que, em suma, tamos fodidos.
já na perspectiva do Zé Celso, foi a leitura do SE que fez as pessoas "se darem conta de que estavam vivas, de que não precisavam mais se conformar com os papéis predeterminados que lhes queriam impor".
achei curioso como se pode fazer leituras tão diferentes de uma mesma obra.
***
da série Se Divertindo em Família:
depois do almoço eu estava fazendo chá verde e comentando com a minha mãe que queria provar chá branco, que ele está sendo introduzido no mercado brasileiro agora, e que a Folha tinha feito uma matéria falando bem e que se ela visse no supermercado, podia comprar.
daí minha mãe perguntou de que planta que era esse chá, e eu contei que era da planta-que-faz-chá, a mesma que faz chá verde e chá preto (a Folha também fez outra matéria uma vez com uma mulher que é tipo barista de chá e ela explicava que chá mesmo é só dessa planta -
Camellia sinensis - o resto é infusão).
daí meu pai entra na conversa: "chá branco? inventaram isso agora? é só pra diminuir a importância do chá preto!"
hashhshahah
pra concluir,
um lolcat temático.